Aliança entre Galp e Moeve pode criar “um verdadeiro campeão europeu”

António Vidigal afirma que a junção das duas empresas pode resultar numa plataforma com cerca de metade da capacidade de refinação da Península Ibérica e a segunda maior rede de estações de serviço.

António Vidigal, ex-líder da EDP Inovação e atual consultor na área da Energia, destacou, nas suas redes sociais, vários aspetos positivos que vê nas discussões que foram anunciadas entre a Galp e a Moeve (ex-Cepsa), que estão a considerar unir forças em diferentes áreas de negócio, desde a rede de estações de serviço até aos ativos industriais.

Olhando às várias dimensões do negócio, que procura sinergias nas áreas de refinação, química, trading, logística, combustíveis de baixo carbono e mobilidade, Vidigal antevê a criação de “um verdadeiro campeão europeu a partir da Ibéria“, numa publicação na sua página de LinkedIn.

De acordo com os números levantados por Vidigal, a nova estrutura poderá processar cerca de 700 mil barris de petróleo por dia, pelo que “dará origem a uma plataforma industrial responsável por cerca de metade da capacidade de refinação da Península Ibérica“. A potencial criação de uma rede integrada de cerca de 3.333 estações de serviço em Espanha e Portugal colocaria ainda estas entidades numa posição comparável à da Repsol, que até hoje mantém a maior rede ibérica, com mais de 3.900 pontos de venda.

Além disso, olhando ao contexto da regulação europeia e custos de capital crescentes, vê operações deste como “uma resposta racional e necessária”. Como mais-valias do negócio, aponta a flexibilidade para adaptar ativos existentes, através por exemplo da aceleração de investimentos em combustíveis de baixo carbono e para integrar eletrificação e o hidrogénio verde.

Numa ótica mais macro, o especialista em energia acredita que, a ser bem-sucedida, a junção de forças entre as duas empresas pode reforçar a resiliência do sistema energético ibérico, ao reduzir dependências externas e ao criar plataformas industriais capazes de competir à escala europeia. Vidigal afirma que a Península Ibérica “pode deixar de ser apenas um “mercado periférico” para passar a ser um verdadeiro polo energético europeu”.

“A transição energética não se faz apenas com novas tecnologias — faz-se também com empresas maiores, mais especializadas, financeiramente sólidas e capazes de investir”, remata o ex-líder da EDP Inovação.

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