“Quem só poupou 10 euros tem de poder investir esses 10 euros”
Comissária europeia foi ao Parlamento explicar a agenda de Bruxelas para 2026. Parte dela passa por criar oportunidades para as famílias poderem aplicar as suas poupanças nos mercados.
A comissária europeia Maria Luís Albuquerque quer que todos tenham acesso aos mercados financeiros para investirem, mesmo que tenham apenas poupado 10 euros. “Investir não pode ser para uns poucos”, defendeu a ex-ministra portuguesa no Parlamento.
“Uma pessoa só conseguiu poupar 10 euros, só tem 10 euros para investir, tem de ser possível investir esses 10 euros. Investir não pode ser para uns poucos, tem de ser para todos”, declarou a comissária para a Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e Mercado de Capitais da União Europeia numa audição pública sobre o Programa de Trabalho da Comissão Europeia 2026.
A Comissão Europeia prepara-se para criar as chamadas contas de poupança e investimento, à semelhança do que já existem no Reino Unido ou EUA, tendo já recomendado os Estados-membros a adotarem estes instrumentos que poderão beneficiar de incentivos fiscais.
“Quando as pessoas conseguem poupar e pôr algum dinheiro de lado, devem ter essa oportunidade”, considerou Maria Luís Albuquerque, que enfatizou a ideia de que “não deve haver montantes mínimos” nos investimentos.
Sobre o tema das pensões complementares, outra as ideias que estão a ser trabalhadas pela comissária, o PS, por via do deputado António Mendonça Mendes, criticou a “prioridade” que Maria Luís Albuquerque tem dado a este tema, em vez de procurar evitar a saída de 300 mil milhões de euros de poupanças das famílias para fora da União Europeia.
“O dinheiro sai para outros sítios, em parte por diversificação, e isso é uma coisa boa, a diversificação é um instrumento de gestão de risco, mas também em grande parte porque essas oportunidades não se encontram facilmente na Europa”, começou por responder a comissária.
“E não se encontram facilmente na Europa porque na Europa não existe um mercado financeiro, existem 27. A Europa tem muito dinheiro, mas guarda-o em 27 bolsos diferentes”, disse.
Para a comissária europeia, tem de se pensar não só nas poupanças que saem, como também nas que permanecem na Europa. “Queremos que aquelas pessoas que poupam na Europa tenham oportunidade de pôr o seu dinheiro a render de forma adequada, naturalmente, tomando o risco que entendam que devam tomar, com todas as garantias naturais da proteção dos investidores, mas dar oportunidade do seu dinheiro efetivamente render mais do que a inflação, para que a poupança compense e crie um melhor futuro financeiro”.
E isso serve tanto para os pequenos aforradores que têm o dinheiro em depósitos como também na forma como se estruturam as pensões.
“Os fundos de pensões são a garantia das pensões futuras, não da minha geração, mas da geração dos meus filhos, com quem eu naturalmente também me preocupo, os europeus que virão a seguir a nós. Temos de nos preocupar hoje que eles tenham pensões amanhã”, enfatizou.
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