Mais de 20 mil alunos começaram o segundo período sem todos os professores

  • ECO
  • 15 Janeiro 2026

Cerca de 23 mil alunos começaram o segundo período sem todos os professores, com turmas sobrelotadas e horários por preencher, afetando a qualidade das aprendizagens, sobretudo, no 1.º Ciclo.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) estima que cerca de 23 mil alunos continuam sem todos os docentes atribuídos, o que reflete um agravamento da falta de professores face ao ano passado. Estão por preencher 363 horários em contratação de escola, muitos deles no 1.º Ciclo, onde a situação é mais crítica, com turmas sem professor titular desde o início do ano letivo. Só nas últimas duas semanas, os diretores lançaram 889 horários que, segundo a Fenprof, podem ter deixado até 62 mil alunos sem todas as aulas. A maior parte destes horários (268) pertence ao 1.º Ciclo, sendo 72 anuais e completos, o que significa que, desde o início do ano letivo, esses alunos não têm professor titular. Alguns agrupamentos, como o de Queluz-Belas, já tiveram de lançar mais de 100 horários só para o 1.º Ciclo, sem que houvesse candidatos disponíveis.

Em entrevista ao Jornal de Notícias, o diretor da escola do concelho de Sintra, António Duarte, esclarece que não lhe faltam 100 docentes, mas apenas sete, e que semanalmente tem de reabrir os mesmos horários que continuam sem preencher. Para contornar a situação, teve de atribuir turmas a dois coordenadores, contratar três técnicos especializados para apoiar alunos sem professor titular e organizar turmas com mais alunos do que o permitido, chegando algumas a 28 ou 29 estudantes, e outras com mais de 30, misturando diferentes anos de escolaridade. António Duarte reconhece que, apesar de os alunos não estarem completamente sem aulas, a qualidade das aprendizagens tem sido afetada e não acredita que todos os horários venham a ser preenchidos até ao final do ano letivo.

O Ministério da Educação garante que está a ser criado um sistema mais rigoroso de contabilização de alunos sem aulas, baseado nos sumários eletrónicos de cada aula, diferenciando entre faltas pontuais, substituições e ausências prolongadas. Paralelamente, o presidente do Conselho das Escolas admite o recrutamento de licenciados não profissionalizados, desde que supervisionados por docentes mais experientes. Como solução temporária, algumas escolas têm optado por concentrar os professores titulares nas áreas de Português, Matemática e Estudo do Meio, enquanto as Expressões ficam a cargo de docentes do 2.º Ciclo, de EVT, Música e Educação Física.

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