Portugal encerra embaixada no Irão

Oito cidadãos portugueses já abandonado território iraniano. Alguns estão em processo de saída, com diligências reservadas por motivos de segurança e dez não querem deixar o país.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou esta quinta-feira que a embaixada de Portugal no Irão foi encerrada temporariamente, tendo em conta “o contexto de tensão e da situação de conflito armado latente na região”. O encerramento foi determinado na quarta-feira, depois de contactados todos os portugueses no país, revela em comunicado o Ministério liderado por Paulo Rangel.

Todos os portugueses naquele país foram contactados, tendo oito cidadãos nacionais já abandonado território iraniano. Alguns cidadãos encontram-se em processo de saída do país (com diligências reservadas por motivos de segurança) e os restantes dez cidadãos nacionais (sete dos quais detêm dupla nacionalidade, portuguesa e iraniana) quiseram permanecer no país“, explica o MNE em comunicado.

O Governo português desaconselha quaisquer viagens ao Irão, como tinha sido já divulgado no Portal das Comunidades Portuguesas, tendo em conta “o contexto de tensão e da situação de conflito armado latente na região, o que resulta em significativo risco securitário”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se esta quinta-feira para “uma reunião informativa sobre a situação no Irão”. A reunião terá lugar a pedido dos Estados Unidos, que ameaçou levar a cabo uma ação militar contra Teerão pela repressão dos protestos. O porta-voz do português, António Guterres, reiterou na quarta-feira, em conferência de imprensa, que a ONU “está extremamente preocupada” com “as imagens que surgem de manifestantes mortos pela violência durante os protestos”.

De acordo com fontes citadas pela emissora norte-americana NBC News, Donald Trump disse aos conselheiros que deseja que qualquer ação militar contra o Irão seja um golpe “rápido e decisivo” para o regime, sem se arrastar durante semanas ou meses. Trump defendeu que “se fizer alguma coisa, quer que seja decisiva”, embora os conselheiros ainda não tenham garantido que o regime de Teerão colapsasse rapidamente após um possível ataque militar.

O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro de 2025, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.

As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e de execuções extrajudiciais de manifestantes detidos. Mais de duas mil pessoas terão morrido nos confrontos entre manifestantes e as autoridades.

(Notícia atualizada com mais informações)

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