Preço dos condomínios sobe “no mínimo” ao valor da inflação

A APEGAC e empresas do setor estão em concordância e veem o aumento dos honorários a acompanhar a taxa de inflação. No entanto, há empresas de elevadores a comunicarem aumentos acima desse índice.

Com a entrada do novo ano, as perspetivas são de um ligeiro aumento nos preços dos serviços de gestão de condomínios. Em declarações ao ECO, Vítor Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios (APEGAC), admite que “há uma tendência de subida” nos honorários praticados pelo setor, e espera que, em 2026, o agravamento “seja, no mínimo, equivalente à taxa de inflação” (2,3% em 2025).

Por norma, uma das despesas mais elevadas num condomínio está associada aos elevadores, não só pelo consumo de eletricidade, mas sobretudo pela manutenção que exigem. Vítor Gaspar explica que “algumas empresas [de elevadores] já estão a comunicar aumentos acima da taxa de inflação”, o que provavelmente levará à necessidade de ajustar o orçamento do condomínio, caso não se proceda a uma revisão das condições atuais.

Vítor Amaral, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Gestão e Administração de Condomínios (APEGAC)D.R.

O presidente da APEGAC detalha que várias empresas de elevadores estão a comunicar aumentos de 3% e 4%, sendo que algumas já anunciaram uma subida de 5%. Nos encargos que não estão contratualizados, como a eletricidade e a água, há também atualizações frequentes, “uma vez que é raro, por exemplo, um ano em que o custo da eletricidade não sofra alterações”, afirma. O ECO também teve acesso a um documento de uma empresa prestadora de diversos serviços, no qual informa seus clientes sobre um aumento de 2,4%.

No entanto, para o bolso dos condóminos, o novo ano não significa, por si só, um aumento da mensalidade do condomínio, uma vez que essa atualização só pode ocorrer mediante deliberação em Assembleia Geral de condóminos. É nesse momento que são analisadas as contas e feito um balanço entre os custos e as receitas.“Num condomínio que esteja este ano a pagar 40 ou 50 euros, a administração não pode impor um aumento para 45 ou 50 euros [quando muda o ano]”, clarifica o presidente da APEGAC.

Num condomínio que esteja este ano a pagar 40 ou 50 euros, a administração não pode impor um aumento para 45 ou 50 euros [quando muda o ano].

Vítor Amaral

Presidente da APEGAC

Vítor Amaral sublinha ainda que a APEGAC, devido à lei da concorrência, “não pode sequer aconselhar os seus associados a apresentarem uma proposta de aumento”. Assim, trata-se de “uma questão de gestão interna de cada empresa”, conclui.

Empresas veem o mercado estável

Atualmente, com mais de 300 condomínios sob gestão, a empresa portuguesa Condoroo, fundada por Rodrigo Bourbon, refere que existe neste momento uma maior capacidade de consolidação do setor. “Não estamos a assistir a atualizações significativas nos serviços. Neste momento há uma inclinação para a estabilizar”, afirma.

Segundo o responsável, “há uma tendência, pelo menos até ao momento, de desaceleração da inflação e, portanto, do nosso lado não estamos a ver os orçamentos a disparar, como acontecia há cerca de um ano ao nível dos preços”. O gestor vai ao encontro da perspetiva do presidente da APEGAC e acredita que a tendência “é uma aproximação aos aumentos de 2% a 3% que eram habituais antes desta onda inflacionista”.

Sobre o preço que as empresas de elevadores poderão vir a cobrar este ano, Rodrigo Bourbon afirma ainda não ter uma perspetiva, uma vez que a Condoroo não tem “acesso direto a essas informações”, com o CEO a sublinhar ainda “que a maioria dos condomínios tem contratos em vigor com durações longas, de cinco anos ou até mais”. Assim, acrescenta, não se trata de um custo que sofra grandes flutuações, variando sobretudo em função do índice de inflação. “Só em situações excecionais, como aumentos significativos de custos ou falta de mão de obra, poderá haver alterações”, explica.

Relativamente aos prémios dos seguros, Rodrigo Bourbon refere que “normalmente há uma atualização, mas, até ao momento, não temos registado aumentos significativos, tendo em conta os índices que estamos a receber”. Sempre que é necessário contratar ou renovar um serviço, a Condoroo solicita, de modo geral, três orçamentos, procedendo depois a uma comparação a vários níveis com a ajuda de inteligência artificial, de forma a garantir o melhor preço para o condomínio. O empreendedor explica que, “na maioria das vezes, as diferenças de preço estão relacionadas com a qualidade do prestador de serviços”.

Já Rosa Fonseca, chefe do departamento de gestão de condomínios da experiente Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), com mais de 130 anos de existência, revela, em declarações ao ECO, que internamente ainda não definiram as diretrizes para 2026. “O índice de aumentos de preços ao consumidor ainda não foi publicado, pelo que não temos uma definição das metas para 2026”, afirma. No entanto, acrescenta que a histórica associação deverá também seguir a perspetiva de um “mercado estável”, a acompanhar a inflação.

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