“Todos podem e devem beneficiar” com acordo UE-Mercosul, destaca von der Leyen

A presidente da Comissão Europeia sublinhou que o acordo UE-Mercosul pode e "deve" beneficiar todos, não só ao nível de emprego como de oportunidades em outros setores.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinhou esta sexta-feira que o acordo UE-Mercosul pode e “deve” beneficiar todos, não só ao nível de emprego como de oportunidades em outros setores.

“O comércio internacional não é um jogo de soma zero. Estamos convencidos de que todos podem e devem beneficiar em termos de novos postos de trabalho em ambas as partes, de melhores oportunidades para os nossos cidadãos e para o setor empresarial e, por conseguinte, de rendimentos mais elevados”, referiu von der Leyen, no Rio de Janeiro, ao lado do presidente brasileiro Lula da Silva.

A presidente da Comissão Europeia elogiou o esforço e valores de Lula, destacando que essa é a “liderança de que precisamos no mundo atual”.

No próximo ano, celebraremos o 20º aniversário da nossa parceria estratégica com o Brasil. Este acordo não podia ser mais oportuno. Multiplicará as oportunidades como nunca antes com acesso mútuo a mercados estratégicos, regras claras e previsíveis, normas comuns e cadeias de abastecimento que se transformam em autoestradas para o investimento“, assegura.

Um dia antes da assinatura do acordo, que está agendado para sábado na capital do Paraguai, von der Leyen assume que os próximos capítulos ainda estão por escrever. “Toda esta história só será um êxito total quando as pessoas e as empresas puderem sentir os benefícios do nosso acordo, e isso deve acontecer rapidamente“, garantiu.

A presidente da Comissão Europeia destacou ainda os avanços entre a Europa e o Brasil num acordo político “muito importante” sobre matérias-primas essenciais. “Enquadrará a nossa cooperação em projetos de investimento conjuntos nos setores do lítio, do níquel e das terras raras e isto é fundamental para a nossa transição digital e limpa e também pela nossa independência estratégica num mundo onde os minerais tendem a tornar-se um instrumento de coerção“, disse.

Já o Presidente do Brasil sublinhou que com este acordo querem produzir e vender bens industriais de “maior valor agregado” e que permitirá às empresas crescer. “O acordo prevê dispositivos que incentivam empresas europeias a ampliar os seus investimentos. A nossa parceria vai contemplar as cadeias de valor estratégicas para a transição energética e digital. Este acordo de parceria vai além da dimensão económica”, assumiu Lula da Silva.

O Presidente brasileiro recebeu esta sexta-feira a presidente Comissão Europeia, na véspera da assinatura do acordo entre União Europeu e Mercosul, que deverá aumentar o PIB do Brasil em seis mil milhões de euros até 2044. António Costa, presidente do Conselho Europeu, também era para estar presente, mas devido ao cancelamento de um voo não conseguiu chegar a tempo.

A assinatura do acordo entre a UE e os quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil Paraguai e Uruguai) vai decorrer no sábado em Assunção, após 25 anos de negociações. A assinatura do acordo comercial contará com, além da presidente da Comissão Europeia e do presidente do Conselho Europeu, dos ministros os Negócios Estrangeiros dos países que compõem o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e ainda do atual líder do bloco sul-americano, o Presidente do Paraguai, Santiago Peña.

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores, segundo dados da Comissão Europeia.

Para a União Europeia, o tratado abre as portas de um mercado historicamente protegido aos seus setores industriais mais competitivos, como a indústria automóvel e a maquinaria industrial, onde as atuais tarifas entre 35% e 14% desaparecerão progressivamente.

Outros setores que beneficiarão de forma especial serão o químico e o farmacêutico, bem como produtos agroalimentares protegidos por denominações de origem, como os vinhos e os queijos.

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