Pensões líquidas sobem com inflação e novas tabelas de IRS. Veja as simulações
Pensões sobem até 2,8% a partir deste mês, por efeito da inflação e do crescimento económico. Novas tabelas de IRS deixam, além disso, mais rendimento na carteira dos reformados.
Os pensionistas contam com mais rendimento na carteira a partir deste mês, por efeito das atualizações regulares e das novas tabelas de retenção de IRS. As simulações feitas pela EY para o ECO mostram que, por exemplo, quem ganhava uma reforma de mil euros brutos em 2025 passa a receber, em termos líquidos, mais 27 euros por mês.
No que diz respeito às atualizações regulares, por lei, as pensões são revistas em janeiro de cada ano com base em dois indicadores: a média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos dois anos e a variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (IPC) sem habitação disponível a 30 de novembro.
Com base nestes dados, as pensões até 1.074,26 euros têm direito este mês a uma atualização de 2,8% em janeiro. Já as pensões entre 1.074,26 euros e 3.222,78 euros sobem 2,27%. E as pensões acima de 3.222,78 euros aumentam 2,02%. As pensões de montante superior a 6.445,56 euros não são objeto de atualização.
Por outro lado, o Governo publicou novas tabelas de retenção na fonte de IRS, que, segundo as contas já publicadas pelo ECO, abrem a porta a um aumento do rendimento líquido dos contribuintes.
Resultado: as pensões não só sobem em termos brutos como são sujeitas a uma taxa de retenção mais baixa, o que assegura aos reformados aumentos líquidos das suas pensões.
Vamos, então, a exemplos concretos (sendo que todas as simulações que se seguem dizem respeito a solteiros sem dependentes). Um pensionista que recebia 600 euros de reforma em 2025 tem direito a uma atualização regular de 2,8% este ano. É sinónimo de um aumento bruto de 16,8 euros.
Neste caso, tanto em 2025 como em 2026 não está prevista retenção na fonte de IRS (fica abaixo do limite a partir do qual é exigido esse desconto mensal). Ou seja, todo o aumento bruto reflete-se na carteira deste pensionista, que vê o seu rendimento líquido subir dos tais 600 euros para 616,8 euros mensais.

Vejamos agora o caso de um pensionista que recebia mil euros de pensão em 2025. No último ano, tinha de reter na fonte 32 euros, o que correspondia a uma reforma líquida de 968 euros.
Já a partir deste mês, tem direito a uma atualização bruta de 28 euros (2,8%). Considerando as novas tabelas de retenção na fonte, a EY calcula que essa pensão de 1.028 euros tem de descontar 33 euros.
É um desconto superior ao de 2025, em termos absolutos. Mas isso é explicado pela subida do valor da pensão, e não por agravamento da taxa. De facto, se o Governo não tivesse atualizado as tabelas de retenção na fonte, essa pensão bruta de 1.028 euros teria a descontar cerca de 43 euros por mês (em vez de 33 euros).
Como as tabelas foram atualizadas, dos 28 euros de aumento bruto, 27 chegam mesmo à carteira do reformado, que passa a receber 995 euros líquidos por mês, conforme mostra a tabela abaixo.

Já no caso de uma pensão de 1.500 euros, no último ano a retenção na fonte era de 155 euros, o que resultava uma reforma líquida mensal de 1.345 euros.
Este ano, com a atualização regular (34,05 euros ou 2,27%) e as novas tabelas de IRS, essa pensão passa para 1.375,05 euros líquidos, mais 30,05 euros do que em 2025. Se o Governo não tivesse atualizado as tabelas de retenção na fonte, o reforço líquido seria de cerca de 26 euros.

E quem tinha uma pensão de dois mil euros em 2025? Em 2025, o desconto, em sede de retenção de IRS, foi de 288 euros, o que representava uma reforma líquida de 1.712 euros, calcula a EY.
Este ano, com a atualização regular (45,4 euros ou 2,27%) e com as novas tabelas de IRS, esse contribuinte tem de reter na fonte 295 euros. Contas feitas, a pensão líquida sobe para 1.750,4 euros, um acréscimo de 38,4 euros no rendimento que chega à carteira.

Vejamos agora o caso de uma pensão de quatro mil euros. Este pensionista reteve na fonte, em 2025, 1.132 euros, o que significa que, em termos líquidos, chegou à carteira deste reformado um total de 2.868 euros mensais no último ano.
Agora, aplica-se um aumento bruto de 80,8 euros (2,02%), por via da inflação e do crescimento económico.
Se se aplicassem as tabelas não atualizadas, o desconto mensal, em sede de IRS, rondaria os 1.169 euros com esse novo valor bruto de pensão. Mas as taxas de retenção na fonte foram atualizadas. A EY calcula que o desconto mensal devido este ano é, portanto, de 1.153 euros.
Resultado: essa pensão líquida sobe 59,8 euros para 2.927,8 euros este ano, como pode ver, em detalhe, abaixo.
Importa destacar que mesmo as pensões atribuídas em 2025 têm direito às referidas atualizações regulares resultantes da inflação e do crescimento económico. Até 2024, a regra ditava que as reformas só subiam dois anos após a sua atribuição, mas a norma, entretanto, mudou.
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