Gronelândia. UE tem “todos os instrumentos sobre a mesa” mas quer dialogar com EUA
Valdis Dombrovskis admitiu a "difícil situação geopolítica", embora condenando as "inaceitáveis ameaças à soberania e integridade territorial da Dinamarca e da Gronelândia".
A Comissão Europeia disse esta segunda-feira que a União Europeia (UE) tem “todos os instrumentos sobre a mesa”, mas prefere dialogar com os Estados Unidos após ameaças tarifárias a alguns países comunitários por oposição ao controlo norte-americano da Gronelândia.
“Todos os instrumentos estão sobre a mesa, por isso não estamos a excluir nenhuma possibilidade. Buscaremos um envolvimento construtivo, mas estamos prontos para reagir também com outros instrumentos, caso não consigamos encontrar uma solução construtiva com os Estados Unidos”, disse o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis.
Falando no final da reunião dos ministros das Finanças do euro (Eurogrupo), em Bruxelas, Valdis Dombrovskis admitiu a “difícil situação geopolítica”, embora condenando as “inaceitáveis ameaças à soberania e integridade territorial da Dinamarca e da Gronelândia”.
Em concreto, segundo fontes europeias, os países da UE estão a analisar avançar com tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos no valor de cerca de 93 mil milhões de euros (direitos aduaneiros sobre a importação de produtos norte-americanos como whisky e manteiga de amendoim) ou com a utilização do novo instrumento anticoerção do bloco comunitário (que poderia trazer limites às trocas comerciais ou aos investimentos), caso Donald Trump imponha tarifas a oito países europeus (seis dos quais da União) na sua tentativa de assumir o controlo da ilha dinamarquesa da Gronelândia.
O Governo português defendeu também uma “resposta unida e bastante forte” da UE às ameaças do Presidente norte-americano. O assunto estará em debate na cimeira europeia extraordinária da próxima quinta-feira.
Foi convocada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, depois de Donald Trump ter afirmado que pretende cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).
Há cerca de um ano, quando tomou posse para um segundo mandato à frente da Casa Branca, Donald Trump avançou com tarifas contra vários territórios, entre os quais a UE, mas as ameaças foram sanadas através de um acordo comercial assinado por Bruxelas e Washington no verão passado prevendo um limite máximo de 15% de direitos aduaneiros.
Certo é que, perante as tensões comerciais do ano passado, a UE chegou a delinear um pacote de tarifas retaliatórias 93 mil milhões de euros aos Estados Unidos, que está congelado até fevereiro, podendo o bloco comunitário recorrer a tal lista caso as novas ameaças de Trump se concretizem.
Existe em vigor, há três anos, uma bazuca comercial, represálias que a UE pode implementar contra a pressão de um país terceiro. Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca e membro da NATO, considerando que qualquer coisa menos do que a ilha ártica estar em mãos americanas seria inaceitável.
A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
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