Restaurantes vão ter apoio “para se manterem em pé”. 30% pode ser a fundo perdido
Restaurantes vão ter novo apoio até 60 mil euros, sendo que 70% são reembolsáveis e 30% podem ser a fundo perdido se as empresas atingirem os resultados. Medida entram em vigor em fevereiro.
O ministro da Economia anunciou esta quarta-feira que os restaurantes vão ter um novo apoio para superar a crise. As unidades que têm dívidas ao Turismo de Portugal de linhas disponibilizadas na pandemia, vão ter mais tempo para pagar esses financiamentos. Para quem tem dívidas à banca, o Turismo de Portugal vai assumir a responsabilidade pelo empréstimo, passando os restaurantes a pagar a esta entidade, mas com um prazo mais dilatado.
Numa entrevista ao Conversa Capital, o programa da Antena 1 e Jornal de Negócios, que celebra dez anos, Castro Almeida anunciou que o Governo vai apoiar as empresas que “precisam de algum investimento para se manter em pé”. Será “um apoio até 60 mil euros, sendo que 70% são reembolsáveis e 30% podem ser a fundo perdido se as empresas atingirem aos resultados”, anunciou.
Castro Almeida explicou que espera que este apoio esteja disponível em fevereiro.
O ministro reconheceu que “muitas empresas estão ainda a pagar os custos da pandemia, porque contraíram empréstimos que estão ainda a pagar”. “O Turismo de Portugal vai ajudar estas empresas a prolongar os prazos de pagamento”, explicou o ministro. “Quem deve à banca, o Turismo de Portugal vai antecipar o pagamento à banca e as empresas ficam a pagar ao Turismo de Portugal em tempo mais dilatado”, acrescentou o ministro.
As dificuldades na restauração têm sido notícia nas últimas semanas. Daniel Serra, presidente da Pro.Var, estimou em declarações ao Expresso que “a restauração soma mais de mil encerramentos definitivos nos últimos meses”, tendo como base anúncios de espaços à venda no Idealista e informações dos associados. O facto de muitos restaurantes serem empresas em nome individual dificulta o apuramento de um número exato.
Em junho do ano passado a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) alertava que 30% das empresas do setor estavam a falhar o pagamento das linhas de crédito da pandemia devido ao aumento dos custos do negócio com a quebra da procura e o aumento da inflação.
Mas em novembro do ano passado ainda não havia solução, avançou ao ECO a secretária-geral da AHRESP. “As causas estão identificadas: o aumento dos custos operacionais provocado sobretudo pela inflação e pela instabilidade geopolítica, a subida dos preços das matérias-primas e da energia, e a quebra do poder de compra dos consumidores”, elencou a responsável. “Perante este cenário, temos insistido com o BPF na urgência de encontrar mecanismos que permitam aliviar esta pressão e apoiar as empresas que já se encontram em situação de incumprimento”, disse Ana Jacinto.
O presidente executivo do Banco de Fomento, disse ao ECO, na altura que o lançamento da linha ADN, prevista para o primeiro trimestre deste ano, poderia ser a solução para as empresas do setor da restauração que já não conseguem cumprir com as obrigações das linhas de crédito Covid.
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