Mais de 40% do crédito à habitação feito pelos jovens em 2025 recorreu à garantia pública

Os dados mais recentes do Banco de Portugal apontam para que o Estado tenha sido fiador de quatro em cada dez contratos de crédito à habitação feitos por jovens no ano passado.

ECO Fast
  • A garantia pública criada pelo Governo para facilitar a compra de casa aos jovens resultou em 25,5 mil contratos de crédito em um ano.
  • Cerca de 42,7% dos contratos de crédito à habitação celebrados por jovens até 35 anos contaram com a garantia estatal.
  • A utilização desigual da garantia pública revela que, nas regiões do interior, mais de metade dos contratos foram celebrados com apoio do Estado.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Há um ano, quando o Governo criou a garantia pública para facilitar a compra de casa aos jovens, não se sabia se a medida ia funcionar. Os números que o Banco de Portugal divulgou esta sexta-feira transformam o ceticismo em realidade incontornável: em apenas 12 meses, o Estado tornou-se padrinho financeiro de quatro em cada dez contratos de crédito à habitação celebrados por jovens até aos 35 anos.

“No primeiro ano completo do regime de garantia do Estado, foram celebrados 25,5 mil contratos de crédito para aquisição de habitação própria e permanente ao abrigo do regime de garantia do Estado, num total de 5,1 mil milhões de euros“, indica o comunicado do Banco de Portugal. Estes contratos “corresponderam a 42,7% do número de contratos e 45% do montante contratado, no mesmo período, por jovens até aos 35 anos”, acrescenta o supervisor.

Considerando o total do crédito à habitação concedido pelo sistema financeiro em 2025, os contratos com garantia pública representaram 23,5% do número de contratos e 26,8% do montante de crédito concedido. Ou seja, praticamente um em cada quatro contratos de crédito à habitação celebrados no ano passado teve o Estado como fiador parcial.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Somente em dezembro, foram celebrados 2.567 contratos de crédito à habitação própria e permanente com garantia do Estado, num total de 533 milhões de euros, que “corresponderam a 49,1% dos contratos e 50,9% do montante contratado”, indicando que praticamente metade dos jovens que compraram casa em dezembro recorreu à garantia estatal. Face ao mês anterior, o número de contratos com garantia do Estado e o montante contratado aumentaram 2% e 1,3%, respetivamente, uma variação que o supervisor.

Até ao final de dezembro de 2025, estavam utilizados 59,2% (701 milhões de euros) do montante total atribuído pelo Estado para garantia no âmbito deste regime, segundo os dados do Banco de Portugal. Este valor representa a garantia efetivamente prestada pelo Estado nos contratos já celebrados e não a totalidade dos montantes que os bancos já receberam antecipadamente para fazer face à procura futura.

A garantia pública, que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2025, começou com um envelope de 1.200 milhões de euros, mas já foi reforçada várias vezes. Atualmente, o montante global disponível ascende a 1.550 milhões de euros, dos quais 94% já foram distribuídos pelos bancos aderentes ao protocolo.

A Caixa Geral de Depósitos lidera a alocação com 507,2 milhões de euros (32,7% do total), seguida pelo Santander (259,3 milhões de euros), BPI (249,5 milhões de euros) e Millennium BCP (185,4 milhões de euros). Estes quatro bancos concentram 82,3% do montante da garantia já entregue pelo Estado.

A análise regional dos dados revela assimetrias significativas na utilização da garantia pública. “Durante o ano de 2025, nas regiões do Alentejo, Beira Baixa, Lezíria do Tejo, Terras de Trás-os-Montes e Beiras e Serra da Estrela mais de metade dos contratos de crédito para aquisição de habitação própria e permanente, celebrados por jovens, foram contratados com garantia do Estado”, indica o Banco de Portugal.

Em sentido inverso, o peso dos contratos de crédito à habitação própria e permanente celebrados por jovens foi inferior na Grande Lisboa e na Região Autónoma da Madeira, representando, nestas regiões, cerca de um terço do total, segundo o supervisor.

Esta distribuição territorial reflete, por um lado, a maior dificuldade de acesso a capitais próprios por parte dos jovens nas regiões do interior e, por outro, a pressão dos preços imobiliários nas áreas metropolitanas, que frequentemente ultrapassam o limite de 450 mil euros estabelecido pelo regime.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Mais de 40% do crédito à habitação feito pelos jovens em 2025 recorreu à garantia pública

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião