Mare Nostrum tem um ‘algoritmo’ de autor para chegar a 100 milhões sob gestão
Fundo lançado em junho já administra ativos de 70 milhões de euros, mas confia no ‘algoritmo’ de João Cortez de Lobão, fundador e acionista do Mare Nostrum, para chegar aos 100 milhões este ano.
Lançado no final de junho, o fundo Mare Nostrum Global Equities já tem 70 milhões de euros em ativos sob gestão, o dobro do que tinha há seis meses. Um desempenho que surpreendeu a equipa gestora liderada por Leonardo Mathias, que não quer ficar por aqui. Ambiciona muito mais e confia no ‘algoritmo’ de autor concebido por João Cortez de Lobão, fundador e acionista do fundo, para chegar aos 100 milhões de euros este ano.
“A prazo, podemos chegar a um bi [mil milhões de euros em ativos sob gestão]”, atira Luís Lavradio, administrador executivo do Mare Nostrum Funds, num encontro com jornalistas, no escritório em Lisboa.
Mas logo a seguir Leonardo Mathias, ex-secretário de Estado da Economia e CEO da Lagaretta Capital, a sociedade gestora do fundo registado na CMVM, complementa: “Não queremos ser os maiores, mas queremos ser os mais rentáveis”. Para já a fasquia está nos 100 milhões até final do ano.
“Temos um foco claro na rentabilidade e queremos fazer crescer património dos clientes. Gostamos de ver os nossos clientes sorrirem”, adianta João Cortez de Lobão, autor do ‘algoritmo’ que está por detrás de todo este projeto desenhado para investir no mercado acionista e que foi estruturado pela Three Rock Capital Management, gestora do grupo Julius Bär.
Mas o que tem de especial o ‘algoritmo’?

“Não vamos dar a fórmula da Coca-Cola”
O fundo, cotado diariamente na bolsa da Irlanda, não está acessível a qualquer investidor. O montante mínimo de investimento é de 100 mil euros, ou seja, o Mare Nostrum faz mira a investidores profissionais ou de “perfil elevado”.
Mas seis meses após o lançamento e um roadshow pelas principais cidades do país, o fundo conta já com perto de uma centena de clientes, entre particulares, empresas e outras instituições, sendo a grande maioria nacionais, com uma subscrição média de 600 mil euros.
Estes investidores foram convencidos pelo ‘algoritmo proprietário’ que João Cortez de Lobão concebeu e melhorou ao longo de mais de 30 anos de experiência nos mercados. E com resultados: desde 2010, apresenta um retorno anual de 18,64%, superando o desempenho do principal índice de ações americano (S&P500) e mundial (MSCI World).
“A minha média permite duplicar o capital a cada 3 ou 4 anos”, atira João Cortez de Lobão.
“Não vamos dar a fórmula da Coca-Cola”, responde imediatamente Leonardo Mathias sobre o “secret sauce” do algoritmo. Mas os responsáveis do fundo revelaram alguns dos ingredientes com os quais também eles esperam lucrar, na medida em que detêm 10% do fundo. “Os nossos interesses estão completamente alinhados com os dos nossos clientes”, frisa Mathias.
“Vamos passar os dois melhores anos que alguma vez tivemos”
Como funciona o algoritmo? “Temos um sistema com mais de 5.000 ações a nível mundial. As ações são filtradas por um conjunto de critérios do algoritmo. O algoritmo escolhe 50 ações. Destes 50 resultados, fazemos uma análise mais aprofundada e escolhemos entre 10 e 25 empresas”, explica João Cortez de Lobão.
Atualmente, a carteira do Mare Nostrum tem mais de duas dezenas de títulos, todos norte-americanos, e de diversos setores, que vão desde os semicondutores e software à energia e serviços financeiros.
Foram escolhidas pelo ‘algoritmo’ com base em vários critérios, incluindo estes: capitalização bolsista superior a 40 mil milhões de dólares, volume de transação em bolsa de pelo menos 100 milhões, cobertura de 20 ou mais analistas e track record de superação das estimativas de resultados.
Desde o lançamento no final de junho, o fundo está a render 15% aos subscritores e João Cortez de Lobão espera mais. “Vamos passar os dois melhores anos que alguma vez tivemos”, antecipa, citando fatores como a descida das taxas de juro pela Fed, o impacto da Inteligência Artificial e o enquadramento económico favorável como motores que vão impulsionar os mercados acionistas este ano e no próximo. “Temos matéria-prima espetacular”, vaticina o autor do algoritmo que move as ondas do Mare Nostrum.
(Título original “Mare Nostrum tem um ‘algoritmo’ de autor para chegar a mil milhões sob gestão” foi atualizado para “Mare Nostrum tem um ‘algoritmo’ de autor para chegar a 100 milhões sob gestão” para incluir esclarecimento do fundo após a publicação deste artigo)
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