Tarifas dos EUA contra quem ajuda Cuba criará “crise humanitária” na ilha

  • Lusa
  • 30 Janeiro 2026

Donald Trump assinou um decreto que prevê que os EUA podem aplicar direitos aduaneiros, de montante não especificado, aos países que vendam petróleo a Havana. México avisa para crise humanitária.

A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou esta sexta-feira que a imposição, pelos Estados Unidos, de direitos aduaneiros adicionais aos países que ajudam Cuba a abastecer-se de petróleo poderá desencadear uma “crise humanitária” na ilha caribenha.

“A aplicação de direitos aduaneiros adicionais aos países que fornecem petróleo a Cuba poderá provocar uma crise humanitária de grande dimensão, afetando diretamente os hospitais, a alimentação e outros serviços essenciais ao povo cubano”, afirmou Sheinbaum numa conferência de imprensa na Cidade do México.

A líder mexicana falava um dia depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter assinado um decreto que prevê que os Estados Unidos poderão aplicar direitos aduaneiros, de montante não especificado, aos países que vendam petróleo a Havana.

O México, tal como a Rússia, é um dos países que ainda fornecem crude a Cuba, tendo, a petrolífera estatal mexicana Pemex exportado para a ilha, entre janeiro e setembro de 2025, 17.200 barris diários de petróleo bruto e 2.000 barris de derivados, num total de 400 milhões de dólares (cerca de 335 milhões de euros, ao câmbio atual), segundo dados oficiais.

Na terça-feira passada, Sheinbaum afirmou que “o México continuará a ser solidário” com Cuba, contrariando notícias que davam conta de uma decisão governamental de suspender os envios de petróleo para a ilha caribenha. “A decisão do México de vender ou de oferecer, por razões humanitárias, petróleo a Cuba é igualmente uma decisão soberana que remonta há muitos anos”, recordou a Presidente.

Também o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou a nova medida dos Estados Unidos, considerando-a uma conspiração “fascista, criminosa e genocida”.

“Esta nova medida demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de uma conspiração que sequestrou os interesses do povo norte-americano para obter ganhos puramente pessoais”, denunciou Díaz-Canel. Na ordem executiva, Trump classificou Cuba como uma “ameaça invulgar e extraordinária” para a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos. No mesmo dia da assinatura, Havana considerou o decreto como um “ato brutal de agressão”.

“Denunciamos perante o mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e o seu povo, submetidos há mais de 65 anos ao bloqueio económico mais longo e mais cruel jamais aplicado a uma nação inteira, e que agora se pretende submeter a condições de vida extremas”, escreveu na rede social X o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP).

No início deste mês, pouco depois da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, no âmbito de uma operação militar norte-americana em Caracas, Trump já tinha ameaçado o Governo cubano, sugerindo que Havana aceitasse um acordo com os Estados Unidos, cuja natureza não foi explicada.

Díaz-Canel afirmou então que não existia “qualquer discussão” em curso entre Cuba e os Estados Unidos. Após a captura de Maduro, o Presidente dos Estados Unidos colocou sob controlo norte-americano o setor petrolífero da Venezuela, que, desde os anos 2000, tem sido o principal fornecedor de petróleo a Cuba, um dos seus aliados mais próximos.

Cuba, sujeita a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, enfrenta há três anos fortes carências de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade.

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