Tarifas dos EUA contra quem ajuda Cuba criará “crise humanitária” na ilha
Donald Trump assinou um decreto que prevê que os EUA podem aplicar direitos aduaneiros, de montante não especificado, aos países que vendam petróleo a Havana. México avisa para crise humanitária.
A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou esta sexta-feira que a imposição, pelos Estados Unidos, de direitos aduaneiros adicionais aos países que ajudam Cuba a abastecer-se de petróleo poderá desencadear uma “crise humanitária” na ilha caribenha.
“A aplicação de direitos aduaneiros adicionais aos países que fornecem petróleo a Cuba poderá provocar uma crise humanitária de grande dimensão, afetando diretamente os hospitais, a alimentação e outros serviços essenciais ao povo cubano”, afirmou Sheinbaum numa conferência de imprensa na Cidade do México.
A líder mexicana falava um dia depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter assinado um decreto que prevê que os Estados Unidos poderão aplicar direitos aduaneiros, de montante não especificado, aos países que vendam petróleo a Havana.
O México, tal como a Rússia, é um dos países que ainda fornecem crude a Cuba, tendo, a petrolífera estatal mexicana Pemex exportado para a ilha, entre janeiro e setembro de 2025, 17.200 barris diários de petróleo bruto e 2.000 barris de derivados, num total de 400 milhões de dólares (cerca de 335 milhões de euros, ao câmbio atual), segundo dados oficiais.
Na terça-feira passada, Sheinbaum afirmou que “o México continuará a ser solidário” com Cuba, contrariando notícias que davam conta de uma decisão governamental de suspender os envios de petróleo para a ilha caribenha. “A decisão do México de vender ou de oferecer, por razões humanitárias, petróleo a Cuba é igualmente uma decisão soberana que remonta há muitos anos”, recordou a Presidente.
Também o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, criticou a nova medida dos Estados Unidos, considerando-a uma conspiração “fascista, criminosa e genocida”.
“Esta nova medida demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de uma conspiração que sequestrou os interesses do povo norte-americano para obter ganhos puramente pessoais”, denunciou Díaz-Canel. Na ordem executiva, Trump classificou Cuba como uma “ameaça invulgar e extraordinária” para a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos. No mesmo dia da assinatura, Havana considerou o decreto como um “ato brutal de agressão”.
“Denunciamos perante o mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e o seu povo, submetidos há mais de 65 anos ao bloqueio económico mais longo e mais cruel jamais aplicado a uma nação inteira, e que agora se pretende submeter a condições de vida extremas”, escreveu na rede social X o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP).
No início deste mês, pouco depois da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, no âmbito de uma operação militar norte-americana em Caracas, Trump já tinha ameaçado o Governo cubano, sugerindo que Havana aceitasse um acordo com os Estados Unidos, cuja natureza não foi explicada.
Díaz-Canel afirmou então que não existia “qualquer discussão” em curso entre Cuba e os Estados Unidos. Após a captura de Maduro, o Presidente dos Estados Unidos colocou sob controlo norte-americano o setor petrolífero da Venezuela, que, desde os anos 2000, tem sido o principal fornecedor de petróleo a Cuba, um dos seus aliados mais próximos.
Cuba, sujeita a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, enfrenta há três anos fortes carências de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade.
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