Trump prepara-se para nomear Kevin Warsh como presidente da Fed, avançam FT e Bloomberg

Segundo a Bloomberg, a Casa Branca já iniciou contactos estratégicos para garantir apoio político e no Senado, antecipando possíveis resistências à indicação.

O substituto de Jerome Powell na liderança da Reserva Federal dos EUA (Fed) está escolhido e será Kevin Warsh, asseguram esta sexta-feira o Financial Times (FT) e a Bloomberg.

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse à margem de um evento em Washington que irá anunciar o nome do próximo líder do banco central esta sexta-feira de manhã (pelo fuso horário local). “Muita gente pensa que é alguém que poderia estar nesse cargo há anos. Será alguém que é muito respeitado, alguém que é conhecido de todos no mundo financeiro”, indicou.

O FT lembra que Warsh chegou a estar na calha para liderar a Fed em 2017, mas, na altura, Trump, no seu primeiro mandato como presidente, acabou por escolher Powell. Warsh é conhecido pelas suas ligações a Wall Street e nos círculos políticos dos EUA.

Como já escreveu o ECO, Warsh tem criticado a política monetária de Powell, à semelhança de Trump, dizendo que vários “erros” têm prejudicado quem quer comprar casa. “Cortes nas taxas são o primeiro passo para o que venho dizendo há uma década: uma mudança de regime necessária na Reserva Federal“, acrescentou em julho de 2025.

Depois de sete anos a trabalhar na área de M&A do banco de investimento Morgan Stanley, foi convidado em 2002 pelo presidente George W. Bush como assessor especial para a política económica e secretário executivo do NEC. Em 2006, vai para o board da Fed, nomeado por Bush, um cargo que ocupa por cinco anos.

Segundo a Bloomberg, a Casa Branca já iniciou contactos estratégicos para garantir apoio político e no Senado, antecipando possíveis resistências à indicação. Por sua vez, a Reuters cita uma fonte a dizer que Trump reuniu-se com Warsh na Casa Branca esta quinta-feira.

Dólar sobe com candidato visto como (algo) independente

O índice do dólar dos EUA, que mede a sua força face a um cabaz de seis moedas, sobe 0,3%, para 96,507, com a notícia sobre a possível nomeação de Warsh a reverter parte da fraqueza recente. A yield das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos avança 4,6 pontos base, para 4,273%.

“O dólar parece efetivamente estar a subir com essa notícia e penso que isso se deve ao facto de ser geralmente entendido que Kevin Warsh é um pouco menos dovish do que, por exemplo, Kevin Hassett, que era outro candidato ao cargo”, disse Krisitina Clifton, economista sénior no Commonwealth Bank of Australia, à Reuters. “Assim, creio que se trata apenas de um pequeno movimento com base nisso… e (Warsh) tenderia talvez a preservar um pouco mais a independência da Fed do que alguns dos outros candidatos”.

Rick Rieder, diretor de investimentos do negócio global de rendimento fixo da BlackRock, era ainda na quarta-feira o favorito destacado para ser o nomeado de Trump. Rieder, que nunca trabalhou no governo nem na Reserva Federal, traria uma nova cara a uma instituição que o presidente acusa de ter um viés político enraizado.

O governador da Fed Christopher Waller, um dos dois decisores que discordaram esta semana da decisão do banco central de manter as taxas inalteradas, também está na corrida. Foi o primeiro responsável da Fed a apresentar o argumento económico a favor de taxas mais baixas, defendendo que as tarifas não provocariam inflação e que a economia precisava de apoio — dois argumentos que convenceram muitos dos seus colegas e ajudaram a consolidar o apoio aos cortes de taxas no ano passado.

O conselheiro económico da Casa Branca, Kevin Hassett, foi um dos primeiros favoritos ao cargo, mas é agora visto como uma escolha pouco provável, depois de Trump ter dito que preferia mantê-lo na função atual. Hassett é economista e um defensor assumido de muitas das políticas do presidente que desafiam a ortodoxia, incluindo tarifas elevadas e um endurecimento da política de imigração.

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