ECO da Campanha. Seguro “vigilante” e Ventura crítico da visita de Marcelo ao Vaticano

O candidato apoiado pelo PS exige que as ajudas cheguem rapidamente às empresas afetadas pela depressão Kristin já o líder do Chega manteve o discurso duro com fortes críticas ao Governo e a Belém.

A cinco dias da segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, a depressão Kristin voltou a dominar a campanha. António José Seguro levou pela primeira vez os jornalistas a um dos locais afetados pela tempestade. Numa visita a uma zona industrial em Proença-a-Nova, o candidato apoiado pelo PS exigiu que os apoios anunciados pelo Governo cheguem rapidamente ao terreno.

Já André Ventura manteve o discurso duro com fortes críticas ao Executivo pelo falhanço nas ajudas às populações mas também não poupou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo timing escolhido para a viagem ao Vaticano, quando o país vive a braços com os estragos provocados pelo mau tempo.

Tema quente

Seguro quer acelerar apoios e Ventura dispara para todo o lado

António José Seguro, presidenciais
O candidato à segunda volta das eleições à Presidência da República, António José Seguro (C), visita empresas afetadas pela depressão Kristin no Parque Empresarial de Proença-a-Nova, 3 de fevereiro de 2026. Os portugueses elegem o novo Presidente da República em 08 de fevereiro.JOSÉ COELHO/LUSA

O candidato presidencial António José Seguro exigiu esta terça-feira que os apoios anunciados para responder aos impactos da tempestade Kristin cheguem “rapidamente ao terreno”, alertando que será “vigilante” e que não poupará esforços para pressionar nesse sentido.

Pela primeira vez acompanhado pela comunicação social, Seguro visitou uma zona industrial de Proença-a-Nova, uma das áreas afetadas pelo mau tempo, para sublinhar a urgência da resposta pública. “Quero manter viva a necessidade de os apoios anunciados chegarem rapidamente aos locais onde são necessários”, afirmou.

“A realidade é a maior pressão. As pessoas estão aflitas, precisam desses apoios. Eu não percebo qual é a dúvida: eles têm de chegar rapidamente”, insistiu, remetendo para quem tem responsabilidades executivas as explicações sobre o atraso na sua concretização.

Questionado sobre se pondera interpelar o Governo ainda enquanto candidato, o vencedor da primeira volta das presidenciais admitiu essa possibilidade, “se for útil para garantir que os apoios chegam”, embora considere que, por agora, não se justifica uma iniciativa formal.

“Não pouparei nenhum trabalho ou ação que esteja ao meu alcance para que, de facto, os apoios cheguem ao terreno”, prometeu.

Seguro deixou ainda um compromisso para o caso de vencer a segunda volta das presidenciais, marcada para domingo: regressar às zonas afetadas logo após a tomada de posse para confirmar se as promessas foram cumpridas.

Uma das funções do Presidente da República é ser vigilante: verificar se aquilo que foi anunciado aconteceu mesmo”, afirmou, lembrando que esta exigência se aplica não apenas à tempestade Kristin, mas também a anteriores catástrofes, como os incêndios.

O candidato apoiado pelo PS explicou ainda que só agora decidiu fazer visitas com os jornalistas, depois de deslocações iniciais sem cobertura mediática, para não “estorvar os trabalhos da proteção civil”. A visita foi, disse, articulada com o presidente da câmara de Proença-a-Nova, que o acompanhou no terreno.

Também em campanha, o candidato presidencial André Ventura disparou críticas em várias direções, apontando o dedo ao Presidente da República, ao Governo e à forma como estão a ser atribuídos os apoios às populações afetadas.

De visita a uma exploração agrícola no concelho de Torres Vedras, Ventura criticou a deslocação de Marcelo Rebelo de Sousa ao Vaticano, em plena crise provocada pelo mau tempo, para se encontrar com o Papa Leão XIV.

“Lembra a alguém que o Presidente da República, no meio de uma crise como esta, vá para o Vaticano?”, questionou, enumerando os impactos sentidos no país: “Pessoas a perder telhados, sem comida, sem luz, sem eletricidade”.

Ventura considerou que, nestas circunstâncias, o chefe de Estado deveria estar no país a “dar confiança às pessoas” e a acompanhar de perto a atuação do Governo nas áreas da prevenção, resposta e apoio às populações.

Apesar das críticas, o líder do Chega admitiu ter gostado da imagem do Presidente com o novo Papa, classificando-a como “bonita” e motivo de orgulho nacional. “Mas não é no meio disto, não é com as pessoas a sofrer”, sublinhou.

O candidato voltou ainda a atacar os apoios decididos pelo Governo, considerando-os insuficientes, e lamentou o silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o tema. “Não concebo como é que o Presidente da República não critica apoios de 500 euros às pessoas. O Governo fez mal e o Presidente devia tê-lo dito”, afirmou.

Ventura congratulou-se, no entanto, com a decisão anunciada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro de isentar de portagens quatro autoestradas localizadas nas zonas declaradas em estado de calamidade.

Figura

Luís Montenegro anuncia isenção de portagens em zonas afetadas pela depressão Kristin

Luís Montenegro, Kristin
O primeiro-ministro anunciou hoje que o Governo vai isentar de portagens durante uma semana as zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19.

O primeiro-ministro anunciou que o Governo vai isentar de portagens durante uma semana as zonas afetadas pela depressão Kristin, no perímetro que abrangerá trechos da A8, A17, A14 e A19.

A isenção começará à meia-noite e vai estender-se por uma semana, anunciou Luís Montenegro, durante uma visita a uma empresa de Pombal.

Questionado se já existe alguma decisão do Governo sobre a isenção de portagens, uma reivindicação de vários autarcas, o primeiro-ministro respondeu que o executivo estava precisamente “a finalizar essa decisão”.

“Entrará em vigor à meia-noite do dia de hoje um período de isenção de portagens até à meia-noite de hoje a oito dias. Precisamente para ajudar a todas as movimentações mais urgentes e emergentes num perímetro, que será público, mas que envolverá a A8, a A17, a A14 e a A19 e que visará naturalmente os percursos dentro da área afetada”, explicou.

Frase

"As únicas indicações que temos são de alterações pontuais em locais de voto. Por isso, aconselhamos os eleitores a informarem-se no próprio dia sobre onde votar porque o local pode ter sido alterado, principalmente nas zonas mais afetadas.”

André Wemans

Porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE)

Número

103 mil

No último ponto de situação feito pela E-Redes, às 17h estava ainda “por alimentar 103 mil clientes”.

De acordo com a E-Redes, nas zonas mais críticas as avarias decorrentes da depressão Kristin totalizam 99 mil clientes, sendo que Leiria tem 75 mil clientes sem energia, Santarém 17 mil clientes, Castelo Branco 7 mil e Coimbra menos de mil.

 

Norte-Sul

As duas caravanas vão andar pelo distrito de Beja. António José Seguro almoça em Castro Verde e depois segue para o Algarve. Até ao fecho da edição deste artigo, André Ventura ainda não tinha divulgado em detalhe a agenda, indicando apenas que iria estar no distrito do Baixo Alentejo.

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