ECO da Campanha. Seguro critica “improviso” e Ventura fala em “república das bananas”

A campanha para a segunda volta intensificou-se, colocando Seguro e Ventura em confronto direto sobre a resposta do Estado e o papel do Presidente em situação de crise.

A campanha para a segunda volta das eleições presidenciais entrou na reta final marcada pela destruição causada pela tempestade Kristin e por um confronto cada vez mais direto entre os dois candidatos que disputam Belém. Em ações paralelas no distrito de Beja, António José Seguro e André Ventura trocaram acusações sobre a resposta do Estado, o papel do Presidente da República e o rumo político do país nos próximos cinco anos.

Tema quente

Seguro critica “improviso” e Ventura fala em “república das bananas”

António José Seguro, presidenciais
O candidato à segunda volta das eleições à Presidência da República, António José Seguro conversa com utentes da Associação dos Reformados, Pensionistas e Idosos do Concelho de Faro A.R.P.I., em Faro, 4 de fevereiro de 2026.JOSÉ COELHO/LUSA

Em Castro Verde, António José Seguro alertou para o risco de “burocracias” e “inoperâncias do Estado” atrasarem a chegada dos apoios às famílias e empresas afetadas pelo mau tempo, sublinhando que “a solidariedade do povo não pode dispensar a responsabilidade do Estado”. O candidato presidencial defendeu que os mecanismos de resposta têm de ser rápidos e eficazes, rejeitando improvisações em momentos de crise.

A destruição provocada pela tempestade levou ainda Seguro a alargar o âmbito do Conselho de Estado que prometeu convocar caso seja eleito Presidente da República. Além da Segurança e Defesa, o órgão deverá discutir os sistemas de Proteção Civil. O candidato sugeriu a utilização conjugada de drones e inteligência artificial para mapear danos provocados por intempéries, defendendo uma mudança estrutural na forma como o país responde a catástrofes naturais. “O país tem de passar de uma cultura de reação e de improviso para uma situação de organização e planeamento”, afirmou, acusando que “ter um plano significa o contrário do que está a ser feito”.

No mesmo almoço de campanha, Seguro elevou o tom político e confrontou diretamente o seu adversário, questionando se os portugueses aceitam viver “cinco anos de turbulência” e de oposição permanente a partir de Belém contra o primeiro-ministro. Segundo o candidato apoiado pelo PS, nunca foi tão fácil perceber “o que separa os dois candidatos”, com “dois perfis e dois caminhos políticos completamente diferentes”.

“O país aceita viver cinco anos de divisão, de semear ódio, de pôr portugueses uns contra os outros?”, perguntou à plateia, contrapondo a essa visão a promessa de ser um Presidente “que una, que agregue, moderado e dialogante”. Seguro garantiu que não fugirá aos problemas, mas que atuará dentro das regras da democracia para exigir resultados ao Governo e melhorar a vida dos portugueses. Alertou ainda para os riscos que atribui ao adversário, acusando-o de querer “mudar de regime”, enquanto o seu projeto passa por “mudar o regime” sem pôr em causa a democracia.

Também em Beja, André Ventura centrou a sua ação de campanha na crítica à resposta do Estado à tempestade. Sob chuva intensa, à entrada do posto da GNR da cidade, o candidato considerou que Portugal precisa de “um Estado em prontidão” e acusou o poder político de falhar perante a catástrofe. “O que temos tido parece uma república das bananas”, afirmou.

André Ventura, presidenciais
O candidato à Presidência da República, André Ventura, durante uma visita a uma adega de vinho e azeite em Beja, 4 de fevereiro de 2026.TIAGO PETINGA/LUSA

Ventura defendeu que, em situações de crise, o lugar dos responsáveis políticos é “junto dos centros de reabastecimento, das estruturas de apoio, da proteção civil e das forças policiais”, para ouvir necessidades e estar ao lado das populações. “Os cidadãos que puderem fiquem em casa, os políticos têm de dar a cara”, sublinhou.

Em plena tempestade, o candidato apoiado pelo Chega voltou a insistir na temática da segurança, alertando para alegados relatos de roubos e assaltos a supermercados e centros de recolha de donativos. Defendeu uma resposta dura das autoridades e da justiça e criticou, sem especificar, “as minorias habituais” que diz estarem a aproveitar-se da situação.

Ventura pediu ainda ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que cancele a visita oficial a Espanha prevista para sexta-feira, considerando tratar-se de “um erro político” num momento em que o país enfrenta graves dificuldades. “Não é em Espanha que precisamos dele, precisamos dele aqui”, afirmou, acrescentando que “os reis de Espanha podem esperar”.

A troca de acusações e visões opostas sobre o papel do Presidente da República, a resposta às crises e a estabilidade política marca assim os últimos dias de campanha, numa segunda volta que coloca frente a frente dois projetos políticos antagónicos e que promete manter o tom elevado até às urnas.

Figura

Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta quarta-feira que o plano de reconstrução das zonas mais afetadas pela depressão Kristin vai exigir mão-de-obra e que o Governo poderá ter de abrir “uma via de entrada de mão-de-obra” para responder a esta situação excecional.

“É preciso mão-de-obra”, reconheceu o chefe de Estado, questionado pelos jornalistas sobre os problemas reportados pelas empresas de construção. Segundo Marcelo de Sousa, “provavelmente tem de se encontrar uma solução para abrir uma via, um canal de entrada de mão-de-obra, especialmente vocacionada para este tipo de desafios“, admitindo que esta resposta será dada por imigrantes.

O Presidente da República defendeu que esta é a forma de responder à situação e assegurar que há pessoas para as obras necessárias. “É um problema de necessidade, tem de haver mão-de-obra“, assegurou.

Frase

"Os presidentes de câmara no território continental ou os Representantes da República nas respetivas Regiões Autónomas, perante situações de calamidade no dia da eleição ou nos três dias anteriores, podem reconhecer a impossibilidade de realização da votação nas assembleias ou secções de voto afetadas. Trata-se de uma previsão legal de caráter preventivo, não existindo neste momento qualquer decisão ou indicação que aponte para o adiamento da votação em determinado local.”

Comissão Nacional de Eleições (CNE)

Prova dos 9

Foto mostra que bombeira de Braga não terá cumprimentado André Ventura

As redes sociais inflamaram-se com elogios e críticas a uma bombeira de Braga que teria rejeitado cumprimentar o candidato presidencial André Ventura, mas o aperto de mão aconteceu mesmo apesar de circularem várias fotos falsas desse momento.

É falso que uma bombeira de Braga tenha recusado cumprimentar o candidato presidencial André Ventura. Apesar da polémica gerada nas redes sociais a partir da divulgação de uma fotografia publicada no Público, o aperto de mão aconteceu de facto, como demonstram outras fotografias e imagens de vídeo.

A controvérsia começou com a circulação de uma imagem onde Ventura surge de mão estendida diante de uma bombeira, levando muitos utilizadores a interpretar que o cumprimento teria sido recusado. Nas horas seguintes, passaram a circular várias versões manipuladas da fotografia, algumas geradas com recurso a inteligência artificial, incluindo imagens falsas do alegado aperto de mão.

A consulta da edição impressa do Público confirma que a fotografia original foi captada momentos antes do cumprimento e que, em nenhum momento, o jornal afirma que a bombeira se tenha recusado a cumprimentar o candidato. Ainda assim, a legenda ambígua contribuiu para interpretações erradas nas redes sociais.

As imagens de vídeo da RTP confirmam que o cumprimento ocorreu, ainda que de forma breve. O momento foi igualmente registado por fotojornalistas da Lusa e do Observador.

Conclusão: O alegado gesto de recusa é falso. A polémica resultou da leitura incorreta de uma fotografia e da disseminação de imagens manipuladas num contexto de elevada polarização política.

Norte-Sul

A caravana de António José Seguro vai andar pelo distrito de Lisboa. De manhã tem um encontro marcado com jovens empresários no DNA Cascais e depois visita a Unicorn Factory, em Lisboa. Da parte da tarde, estará em contacto com a população da capital e só haverá arruada se não chover. Segue para a Universidade Lusófona, onde terá um encontro com a Juventude em Movimento e finaliza o dia de campanha com uma sessão no Fórum Lisboa.

André Ventura vai continuar pelo Alentejo, mais concretamente Beja. Depois de visitar o posto da GNR pelo meio-dia, a caravana estaciona na Adega Monte Novo e Figueirinha, que foi afetada pelo mau tempo, também localizada na capital de distrito do Baixo Alentejo. Ao final do dia, segue para o Algarve.

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