ECO da Campanha. Ventura pede para adiar eleições e Seguro teme abstenção
A três dias da segunda volta, Ventura defendeu o adiamento da votação devido ao temporal, enquanto Seguro e o Presidente da República admitem apenas suspensões locais.
A três dias da segunda volta das eleições presidenciais, o impacto das tempestades abriu um novo confronto político: André Ventura pede o adiamento nacional do ato eleitoral por falta de condições, enquanto António José Seguro e o Presidente da República defendem apenas suspensões locais decididas pelas autarquias para garantir que ninguém fica impedido de votar.
Tema quente
Ventura pede para adiar eleições e Seguro teme abstenção
O candidato presidencial apoiado pelo Chega, André Ventura, defendeu esta quinta-feira o adiamento por uma semana da segunda volta das eleições presidenciais, marcada para domingo, alegando falta de condições devido às tempestades que atingem o país.
Durante uma ação de campanha em Silves, no Algarve, Ventura afirmou que “grande parte do país [está] em estado de calamidade” e considerou que “não temos condições de termos eleições disputadas e marcadas neste contexto”.
O candidato reconheceu que o calendário eleitoral estava definido há meses, mas sustentou que “isto não estava previsto acontecer”, acrescentando que a prioridade atual dos cidadãos não é votar: “As pessoas estão sem comunicações, sem abastecimento, sem luz, sem bens essenciais (…) estão a passar mal”.
Ventura anunciou que iria apelar ao adversário, ao Presidente da República e aos poderes municipais para que o ato eleitoral seja adiado por sete dias “por uma questão de igualdade de todos os portugueses”, defendendo que “há muitas zonas do país onde nem sequer vai ser possível votar”.
O apelo surge depois de a Câmara Municipal de Alcácer do Sal ter decidido adiar a votação local para 15 de fevereiro, após sugestão do Presidente da República.
Já António José Seguro manifestou preocupação com a participação eleitoral e descreveu como um “pesadelo” a hipótese de os eleitores preferirem a sua candidatura mas não comparecerem nas urnas.

“Nunca houve em Portugal uma escolha tão simples de fazer (…) peço aos portugueses que não arrisquem”, afirmou, reforçando o apelo ao voto. Seguro defendeu que ninguém deve ser impedido de votar por causa do mau tempo, mas considerou que a lei já prevê mecanismos adequados: os presidentes de câmara podem suspender a votação nas zonas afetadas e realizá-la na semana seguinte.
“Ninguém pode ser prejudicado no seu direito de votar (…) depende dos senhores presidentes de câmara”, declarou, defendendo soluções caso a caso e em condições de segurança. Também esta quinta-feira, o Presidente da República admitiu a possibilidade de adiamentos localizados, sublinhando que a decisão não compete aos órgãos nacionais.
“A palavra decisiva é do presidente de câmara (…) não havendo condições, está previsto que as eleições sejam sete ou oito dias depois”, afirmou, em Alcácer do Sal, onde a zona baixa permanece inundada.
Desde a semana passada, as depressões Kristin e Leonardo provocaram 11 mortos, centenas de feridos e desalojados. Registam-se casas e empresas destruídas, estradas cortadas, escolas e transportes encerrados e falhas de energia, água e comunicações. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo concentram os maiores danos.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios até 2,5 mil milhões de euros.
Com a votação marcada para daqui a três dias, a divergência política centra-se agora entre um eventual adiamento nacional – defendido por Ventura – e adiamentos localizados decididos pelas autarquias, como sustentam Seguro e o Presidente da República.
Figura
José Pedro Aguiar-Branco

O presidente da Assembleia da República apelou esta quinta-feira à participação dos portugueses na segunda volta das eleições presidenciais de domingo, sublinhando a sua equidistância institucional no processo eleitoral, embora admita ter já decidido o sentido do seu voto.
Em declarações à agência Lusa, após uma visita ao Corpo Nacional de Escutas, em Lisboa, José Pedro Aguiar-Branco afirmou que, enquanto segunda figura do Estado, está obrigado à neutralidade na disputa entre o antigo secretário-geral do PS António José Seguro e o líder do Chega, André Ventura.
“Já fiz isso na primeira volta, porque acho que é essa a exigência da segunda figura do Estado e a equidistância inerente ao cargo de presidente da Assembleia da República que me obriga”, afirmou.
Ainda assim, deixou claro que a neutralidade pública não significa indecisão: “A única coisa que posso dizer é que eu não tenho dúvidas em quem vou votar”. O responsável acrescentou que, caso não exercesse funções institucionais, indicaria “com certeza” a sua preferência eleitoral.
Frase
"Atendendo ao caráter excecional e imprevisível dos acontecimentos ocorridos, não estando reunidas as condições mínimas para a realização normal e universal das eleições presidenciais no concelho de Alcácer do Sal, foi solicitado o seu adiamento.”
Número
15
A Câmara de Alcácer do Sal assim como as autarquias de Arruda dos Vinhos e de Pombal decidiram adiar a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para este domingo, para a semana seguinte, dia 15 de fevereiro, devido às tempestades que têm afetado os concelhos. Por lei, os presidentes das autarquias podem pedir o adiamento das eleições por uma semana caso não haja condições para os eleitores exercerem o seu direito de voto.
Norte-Sul
No último dia de campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, a caravana de António José Seguro vai andar pelo distrito do Porto. Começa em Matosinhos para uma visita à Sword Health e termina na cidade Invicta. Já André Ventura decidiu marcar o dia de campanha em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, um dos concelhos mais afetados pelas depressões Kristin e Leonardo.

Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
ECO da Campanha. Ventura pede para adiar eleições e Seguro teme abstenção
{{ noCommentsLabel }}