Santander Portugal lucra 963,8 milhões em 2025 nas últimas contas de Castro e Almeida
Lucros estabilizaram, apesar da descida da margem financeira de 10%. Pedro Castro e Almeida está de saída da liderança do banco ao fim de sete anos. Isabel Guerreiro assume o comando a 1 de março.
O Santander Portugal (ex-Totta) apresentou lucros de 963,8 milhões de euros em 2025, praticamente em linha com ano anterior. A descida das taxas de juro levou a margem a cair mais de 12%, mas houve uma compensação das comissões, dos resultados com operações financeiras e de menos provisões. Foram as últimas contas assinadas por Pedro Castro e Almeida enquanto CEO. O português prepara-se para assumir as funções de administrador com o pelouro do risco a nível do grupo, a partir de Madrid. Isabel Guerreiro será a nova CEO a partir de 1 de março.
“Somos de longe o banco mais rentável em Portugal e um dos mais rentáveis na Europa”, declarou Castro e Almeida já em jeito de balanço do seu trabalho à frente do Santander Portugal. O banco fechou o ano passado com uma rentabilidade dos capitais próprios de 31,8% (ROTE).
A margem financeira — que corresponde à diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos — caiu 12,6% para 1,37 mil milhões de euros, devido à descida das taxas de juro que se observou ao longo do ano passado.
Esta descida foi compensada pelo aumento das comissões (+7,1% para 484 milhões) e dos resultados com operações financeiras (+77% para 37,3 milhões) e pela redução das provisões (que passou de -64 milhões para um valor positivo de 3,4 milhões) — neste último caso relacionado com a recuperação de 27 milhões do adicional de solidariedade que o Constitucional considerou ilegal.
Questionado se houve um esforço para evitar uma quebra dos lucros nas suas últimas contas, Castro e Almeida afastou esse tema: “Não tenho grande preocupação da variação do resultado de um ano para o outro, num banco com uma rentabilidade como a nossa. (…) Os resultados espelham o que a atividade tem de recorrente e de extraordinário”, disse aos jornalistas.
Castro e Almeida havia destacado também o controlo dos custos. Estes subiram 0,6% para 530,7 milhões de euros, com as despesas com pessoal a subirem 3,8% para 302,4 milhões.
À boleia da linha de garantia pública para jovens, a carteira de crédito à habitação disparou 8,6% para 25,3 mil milhões de euros. O crédito às empresas subiu 6,5% para 26,5 mil milhões. Em relação à garantia pública para jovens, o Santander já recebeu 37 mil pedidos e já concedeu 1,1 mil milhões de euros em crédito para a compra de casa por parte dos jovens — os jovens representaram metade das novas operações de crédito no ano passado. O banco já pediu um reforço da sua quota de garantia pública.
O administrador João Veiga Anjos adiantou que 90% do resultado será distribuído pelo acionista espanhol, ou seja, mais de 867 milhões vão a caminho de Madrid.
Nova CEO afasta aquisições
Isabel Guerreiro, que assume o comando do banco a partir de 1 de março, afastou a possibilidade de aquisições durante o seu mandato — isto apesar de o Santander ter recentemente adquirido um banco no Reino Unido e, esta semana, nos EUA. “Nos últimos anos, o nosso crescimento tem sido organizado”, referiu a gestora. Com o nível de escala e eficiência, não acho que faz sentido”, acrescentou — em Portugal o banco ficou com o Banif em 2015 e com o Popular em 2018.
Explicou ainda que tentará contrariar a quebra das taxas de juro com um aumento da relação com os clientes e deixou elogios à herança deixada por Pedro Castro e Almeida.
“Tive a sorte de estar na equipa do Pedro desde a primeira hora. Estes resultados são também os meus, mas queria agradecer ao Pedro porque nos trouxe até aqui. (…) Temos a sorte de herdar uma organização extremamente saudável, em qualquer indicador. A minha primeira ambição é tentar garantir que este pódio se mantém ou até melhorar”, disse Isabel Guerreiro.
(notícia atualizada às 10h55)
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