Álvaro Santos Pereira. “Não é aceitável que tenhamos populações semanas sem luz e comunicações”
O governador do Banco de Portugal defende, numa publicação na rede social X, que o que se passou com as tempestades não é aceitável e que "temos de mudar radicalmente".
“Temos de mudar. E mudar radicalmente”. É desta forma que Álvaro Santos Pereira defende, na sua página das redes sociais X e linkedin, que o país precisa de fazer muito para se preparar para situações de catástrofe como as que sucederam com a depressão Kristin e fenómenos subsequentes, e lembrou ainda o nosso elevado risco sísmico.
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“As recentes tempestades puseram a nu algumas das debilidades de planeamento e de falta de prevenção que grassam no nosso País. Obviamente, agora é a hora de minorar os danos e socorrer as populações mais afetadas, garantindo o abastecimento de alimentos e de víveres, bem como o alojamento e a segurança dos nossos cidadãos. Porém, passado este momento de emergência, teremos de retirar as necessárias ilações e ensinamentos de toda esta crise“, defende na mensagem publicada na noite deste sábado.
“É óbvio que estamos a lidar com uma sequência de fenómenos naturais extraordinários, pelo menos para o que estamos habituados até agora. Dito isto, é importante percebermos que não é aceitável que tenhamos populações isoladas e inundadas por falta de prevenção ou até de manutenção de equipamentos de bombagem que poderiam evitar males maiores. Não é aceitável que tenhamos populações que possam ficar semanas sem luz e comunicações. E não é aceitável que não existam planos de crise detalhados e simulacros regulares para as áreas com maior propensão para cheias e inundações, que são recorrentes de tempos a tempos”, continua, em tom muito crítico.
Sem apontar responsáveis concretos, Álvaro Santos Pereira fala numa questão cultural de “uma sociedade que desvaloriza a prevenção e o planeamento adequado. Temos uma cultura reactiva e não preventiva. E por isso as catástrofes sucedem-se e nós continuamos a correr atrás do prejuízo”. Daí a sua conclusão: “Temos de mudar. E mudar radicalmente”.
É importante percebermos que não é aceitável que tenhamos populações isoladas e inundadas por falta de prevenção ou até de manutenção de equipamentos de bombagem que poderiam evitar males maiores. Não é aceitável que tenhamos populações que possam ficar semanas sem luz e comunicações. E não é aceitável que não existam planos de crise detalhados e simulacros regulares para as áreas com maior propensão para cheias e inundações
O Governador pede, por isso, um reforço de preparação para o futuro, até porque “é importante sublinhar que, com as alterações climáticas, este tipo de tempestades só vão ter tendência a aumentar. Por isso, é mesmo melhor mudarmos”. “Nas próximas semanas e meses, devíamos aprender as lições com mais esta crise natural e começar a prepararmos-nos para as próximas intempéries, cheias e vendavais, ou outras catástrofes naturais. Nunca nos devemos esquecer que somos um país de considerável risco sísmico, e continuamos a não nos prepararmos adequadamente para esta eventualidade”.
E conclui: “Prevenção e planeamento deviam entrar no nosso léxico comum e no nosso dia-a-dia para evitarmos males futuros e minimizarmos catástrofes vindouras. Precisamos de mudar de atitude para aumentarmos a resiliência do nosso País a este tipo de fenómenos”.
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