“Não será por mim que a legislatura será interrompida”. Seguro garante “cooperação” com o Governo

António José Seguro promete estabilidade política -- "abre-se um novo ciclo de três anos sem eleições" --, transparência e ética. Pelo caminho, avisa que terá "o seu estilo".

António José Seguro, eleito Presidente da República este domingo, prometeu vida longa ao Governo, garantindo que, no que depender de si, a legislatura é para levar até ao fim. O sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que superou o recorde de Mário Soares em votos nominais, admitiu que não esperava uma vitória desta dimensão e assegurou que será “o Presidente de todos os portugueses”.

“Abre-se um novo ciclo de três anos sem eleições”, afirmou António José Seguro no discurso de vitória no Centro Cultural das Caldas da Rainha.

Perante um auditório cheio, onde se agitaram muitas bandeiras de Portugal e cachecóis, o antigo secretário-geral do PS eleito por 66,82% (e 3.482.481 votos) contra 33,18% (1.729.381 votos) de André Ventura, quando faltam ainda apurar sete consulados e 20 freguesias que adiaram a votação devido ao comboio de tempestades que tem assolado o país, Seguro garantiu que não será “oposição” ao Governo.

“Não será por mim que ela [a legislatura] será interrompida. Prometi a lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei a minha palavra. Jamais serei um contrapoder, mas serei um Presidente exigente com as soluções e com os resultados”, afirmou.

Não será por mim que ela [a legislatura] será interrompida. Prometi a lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei a minha palavra. Jamais serei um contrapoder, mas serei um Presidente exigente com as soluções e com os resultados.

António José Seguro

Neste sentido, garantiu que, “em Belém, os interesses ficam à porta” e que “a transparência e a ética” serão guia. E à semelhança do que havia feito na primeira volta, inspirado na frase de Ramalho Eanes que Mário Soares popularizou, prometeu ser “o Presidente de todos os portugueses”.

Por isso mesmo garantiu que “tratará todos os partidos por igual”, pelo que “a partir desta noite” a disputa com André Ventura chegou ao fim. “Deixámos de ser adversários, e temos agora o dever partilhado de trabalhar por um Portugal mais desenvolvido e mais justo”, sublinhou.

A vitória que o coloca como o Presidente mais votado de sempre chegou, porém, numa dimensão que o novo inquilino de Belém não esperava. “Esperava uma confiança dos portugueses pedi essa confiança reforçada e a certa altura pensei que a podia ter, não desta grandeza, mas sou humilde para dizer aos portugueses que a recebo com muita honra”, disse quando questionado pelos jornalistas.

Portugueses esses a quem garantiu que não “abandonará”, deixando as primeiras palavras às vítimas das tempestades. “Tudo aquilo que poder ajudar no sentido em que apoios cheguem rapidamente as famílias e empresas farei. Já o fiz como candidato, estarei disponível para o fazer como Presidente eleito”, salientou.

“A solidariedade portuguesa foi heroica, mas não pode nunca substituir a responsabilidade do Estado”, disse. Deste modo, anunciou que a primeiro reunião do Conselho de Estado, em março, será dedicada à defesa e à segurança. “Segurança contra a criminalidade, mas também de vidas e de bens. O Estado não pode ter pés de barros”, realçou.

E avisa que será fiel a si mesmo. Cumprimentando Marcelo Rebelo de Sousa e os restantes Presidentes eleitos, salientou que cada “um no seu tempo e estilo serviu” o país, o que assegura continuará a fazer, mas ao seu jeito. “Servirei Portugal com o mesmo compromisso, mas no meu próprio estilo”, assegurou.

“A vida do PS é com o líder do PS”

António José Seguro promete equidistância do partido do qual tem muito orgulho em ter pertencido. Questionado sobre se esta vitória é um balão de oxigénio para o PS, António José Seguro responde de forma seca: “A vida do PS é com o líder do PS.”

“Tenho muito orgulho no meu passado e nas minhas raízes, mas não tenho atividade partidária, não tive há 11 anos e nem terei. Quanto à entrega do cartão tem um valor simbólico… assumi essa independência e é isso que farei na minha atuação, estou acima dos partidos e se interpreto bem o pensar dos portugueses é isso que os portugueses querem”, disse.

E promete elevar a fasquia do debate. “Fiz isso na campanha eleitoral e farei isso como Presidente da República, nunca deixar que o debate entre na lama, é um dos meus deveres, para elevar a fasquia do debate”, defendeu.

António José Seguro tornou-se este domingo no Presidente da República eleito com o maior número de votos expressos em 50 anos de democracia, ao superar os 3.459.521 de Mário Soares no sufrágio de 1991.

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