Exclusivo Ex Unbabel lança nova startup Soko
Startup usa a IA para ajudar as pessoas a encontrar informação útil para conhecer o seu bairro. Arranca com equipa de seis pessoas, mas já com propósito de internacionalização.

Perdido nas redes e nos grupos de WhatsApp, mas desligado do bairro onde vive? A Soko quer ajudar os utilizadores a descobrir a “vida real do bairro” através da inteligência artificial. A startup é o novo projeto de João Graça, antigo cofundador e chief technology officer da Unbabel, e de João Albino, ex Urbvan.
“A Soko está a construir uma forma simples de descobrir a vida real do bairro, aquela que hoje continua largamente invisível online. Existe um espaço claro por ocupar: o que é relevante a nível local encontra-se fragmentado entre redes sociais, grupos de WhatsApp, dezenas de plataformas e websites diferentes e, muitas vezes, apenas um conjunto reduzido de pessoas tem acesso ao que está a acontecer. Os motores de busca não captam esta realidade e as ferramentas genéricas de inteligência artificial também não”, começa por explicar João Graça, quando questionado sobre o propósito do novo projeto.
“Esta fragmentação dificulta o acesso à informação e à procura local, criando desconexão e isolamento. Perde-se, aos poucos, o sentimento de pertença ao bairro. Este problema afeta pessoas de todas as idades. Jovens acabam muitas vezes presos ao excesso de informação e aos algoritmos. Pessoas mais velhas, ou com mais tempo disponível, sentem dificuldade em perceber o que há de diferente e como participar localmente. Em ambos os casos, a dificuldade não é apenas descobrir informação, mas sentir ligação ao lugar onde se vive e perceber que se faz parte de uma comunidade ativa”, continua o cofundador.
A Soko aprende com as pessoas e com especialistas locais, pessoas que conhecem muito bem um bairro, um tipo de evento ou uma cena específica da cidade, seja em música, comida, cultura, desporto ou vida comunitária. O que estas pessoas partilham ajuda a construir um conhecimento local que é difícil de encontrar noutras plataformas.
Uma desfragmentação que gera um desligamento da vida real e, com isso, solidão. “A Organização Mundial da Saúde tem alertado que a solidão é um grave problema de saúde pública à escala global. Recuperar o sentido de pertença começa muitas vezes por algo simples: saber o que está a acontecer à nossa volta e sentir que há espaço para participar na vida local”, alerta.
Para isso, a inteligência artificial poderá ser uma ferramenta útil para criar laços. “Hoje, a inteligência artificial permite abordar este problema de forma diferente do que foi possível nas últimas duas décadas. Em vez de depender apenas de plataformas genéricas e algoritmos opacos, é possível combinar tecnologia com contributos humanos reais para tornar a vida local mais visível, relevante e acionável”, considera.
O que faz a Soko?
Ainda em fase piloto, a Soko funciona como um “guia local com quem podes conversar para descobrir o que fazer perto de ti em minutos e torna-se mais personalizada quanto mais a usas”, explica João Graça. Atualmente, funciona em dois canais complementares.
“A app, que ainda estamos em fase de teste, onde é possível conversar com a Soko, guardar sugestões num mapa e num calendário, criar e descobrir listas de lugares e eventos, e aceder a recomendações organizadas para o dia a dia”, explica. E através do WhatsApp “onde a experiência é mais imediata e focada em respostas rápidas e úteis”.
“A Soko aprende com as pessoas e com especialistas locais, pessoas que conhecem muito bem um bairro, um tipo de evento ou uma cena específica da cidade, seja em música, comida, cultura, desporto ou vida comunitária. O que estas pessoas partilham ajuda a construir um conhecimento local que é difícil de encontrar noutras plataformas”, descreve quando questionado sobre o funcionamento da Soko.

“Mais do que uma base de dados estática, a Soko está a construir um ecossistema local vivo, que evolui com as conversas, as recomendações e as experiências reais das pessoas que vivem a cidade. Com o tempo, vai ganhando conhecimento tanto sobre a cidade como sobre as preferências de cada utilizador, tornando as recomendações cada vez mais relevantes e personalizadas”, continua. “Acreditamos que descobrir o que vale a pena fazer pode ser algo simples, reduzido a dois ou três minutos por dia, com recomendações claras e adaptadas a cada pessoa. Queremos que seja a forma mais simples de descobrir e viver uma cidade”, sintetiza.
A quem se dirige?
A Soko dirige-se a um segmento B2C. “Numa fase inicial, estamos focados em perfis que naturalmente adotam este tipo de produto: Pessoas que querem sair mais e ter planos, mas sentem dificuldade em saber o que está a acontecer ou não querem depender das redes sociais para isso”, indica. “Expats e pessoas que se mudaram recentemente para uma cidade ou para um bairro novo. Pessoas que querem conhecer melhor o próprio bairro e integrar se mais nas dinâmicas locais”, exemplifica.
“Começámos no final do verão com um teste simples apenas em WhatsApp, para perceber se as pessoas queriam este tipo de experiência. A resposta foi muito positiva e validou o valor do produto. Estamos agora em fase de testes e preparação para lançamento”, refere.
O produto foi pensado desde o início para ser escalável e funcionar em qualquer cidade, seja no Porto, em Londres ou no Rio de Janeiro. A Soko nasce com uma mentalidade internacional, porque isso é essencial para que o modelo seja sustentável e consiga crescer.
A solução é made in Portugal estando a equipa fundadora de seis pessoas sedeada no país — “acreditamos que é possível construir uma grande empresa a partir de Portugal” —, mas João Graça acredita que há potencial de internacionalização. “O produto foi pensado desde o início para ser escalável e funcionar em qualquer cidade, seja no Porto, em Londres ou no Rio de Janeiro. A Soko nasce com uma mentalidade internacional, porque isso é essencial para que o modelo seja sustentável e consiga crescer”, considera.
Por isso, durante o mês de fevereiro vão correr duas experiências em paralelo, em Lisboa e no Rio de Janeiro, “com o objetivo de aprender o máximo possível em contextos urbanos e culturais diferentes” e, com base nessas aprendizagens, “lançar de forma mais estruturada ainda este ano noutras cidades”.
João Graça não adianta nesta fase estimativas de faturação ou modelos de monetização. “Nesta fase inicial o nosso principal objetivo é perceber se conseguimos criar valor real para o utilizador final, para as pessoas. Mais concretamente, queremos perceber se, em poucos minutos por dia, conseguimos ajudar as pessoas a sair mais de casa, a descobrir coisas relevantes e a participar mais na vida local. Se conseguimos mudar comportamentos e tornar as pessoas mais ativas na vida real, então estamos a criar algo com impacto”, aponta.
“As nossas duas grandes questões são se as pessoas estão dispostas a partilhar informação local com a Soko, que é o nosso principal diferencial, e se com essa informação conseguimos responder às perguntas dos utilizadores de forma mais útil do que um motor de busca tradicional ou uma ferramenta genérica de IA. Se estas hipóteses se confirmarem, existem vários caminhos claros de monetização que poderemos explorar numa fase seguinte“, diz.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Ex Unbabel lança nova startup Soko
{{ noCommentsLabel }}