Dona da Milaneza compra negócio de massas da espanhola Cerealto

Cerealis derrota turcos das farinhas na aquisição das massas alimentares da Cerealto, detida pelos fundos Afendis e DK. Grupo da Maia passa a faturar 400 milhões e a ter mais de 900 trabalhadores.

A Cerealis comprou a operação de massas alimentares da empresa espanhola Cerealto, detida pelos fundos de investimento Afendis e DK, no âmbito de um “processo competitivo internacional” em que estava a concorrer com a Ulusoy, a maior produtora de farinha da Turquia.

Sem divulgar o valor do negócio, fonte da Cerealis descreve ao ECO num “investimento significativo” que eleva a faturação do grupo português para perto de 400 milhões de euros e o número de trabalhadores para mais de 900 pessoas.

Esta operação no país vizinho, inserida na “estratégia de crescimento” da dona das marcas Milaneza ou Nacional, surge no seguimento da aquisição de uma operação semelhante na Chéquia (Europasta), concluída em 2024, quando passou a mandar a 100% na maior fabricante checa de massas.

Este movimento “responde à necessidade de reforço de escala e competitividade que o negócio industrial baseado num mercado com a dimensão do português exige”, justifica a empresa liderada por Pedro Moreira da Silva e que desde o início deste ano tem os belgas da Sofina como acionistas minoritários.

Esta operação constitui mais um passo na estratégia de crescimento da empresa e contribui para robustecer a nossa competitividade, nomeadamente criando sinergias na compra de trigos e na logística.”

Pedro Moreira da Silva

CEO da Cerealis

A empresa da Maia, que no verão de 2021 passou para as mãos do empresário Carlos Moreira da Silva e da família Silva Domingues, salienta que a aquisição da unidade de produção da Cerealto localizada na região de Castela e Leão permitirá “alcançar uma presença relevante no mercado espanhol”.

A fábrica da Cerealto (antiga Siro) no país vizinho, que entra agora para o portefólio da histórica empresa portuguesa, tem uma capacidade de produção anual de cerca de 90 mil toneladas, que “continuarão a destinar-se em exclusivo ao mercado espanhol”.

Este negócio de massas representa à volta de 20% do volume de negócios anual de cerca de 530 milhões de euros do grupo com sede em Venta de Baños, no município de Palência, que há um ano dividira a área de massas numa sociedade designada Cerealto Pasta VB3.

Fábrica da Cerealis na Maia

Esta operação, sujeita ainda às habituais aprovações regulatórias, incluindo da Autoridade da Concorrência, “constitui mais um passo na estratégia de crescimento da empresa e contribui para robustecer a nossa competitividade, nomeadamente criando sinergias na compra de trigos e na logística”, destaca Pedro Moreira da Silva, CEO da Cerealis.

Na reta final do ano passado, os grupos Cerealis e Better Foods (dona da Amparo) decidiram avançar com a fusão das operações de moagem para ‘sustentar’ indústria nacional da farinha, juntando assim a Cerealis Moagens com as unidades Ceres, Germen, Granel e Carneiro Campos.

Fundada a 8 de fevereiro de 1919 como Amorim, Lage & Soares Lda. – uma aliança de José Alves de Amorim (tio de Américo Amorim), Manuel Gonçalves Lage e Aníbal Soares –, a partir dos anos 1930, a Cerealis ficou a ser detida apenas pelas famílias Amorim e Lage (50%/50%). Ao fim de 102 anos, a segunda e terceira gerações resolveram vender as participações à Teak Capital, holding pessoal de Carlos Moreira da Silva, e à Tangor Capital, da família Silva Domingues.

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