Modi, Macron e Guterres defendem acesso universal à IA em cimeira na Índia
Na cimeira que decorre esta semana em Nova Deli e que reúne vários líderes e responsáveis internacionais, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas afirmou que “a IA deve pertencer a todos”.
Narendra Modi, António Guterres e Emmanuel Macron defenderam hoje, na Cimeira de Impacto da inteligência artificial (IA), em Nova Deli, o acesso universal à tecnologia e a implementação de medidas para regular a sua utilização.
“A IA deve pertencer a todos”, e o seu futuro não pode ser deixado “ao sabor de alguns multimilionários”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, dirigindo-se a uma plateia de dirigentes e executivos de topo do setor tecnológico. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu ainda que a tecnologia seja “acessível e inclusiva”.
Por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a Europa, “um espaço seguro”, está “determinada a continuar a ditar as regras do jogo e a fazê-lo com os nossos aliados, como a Índia”. Entre os oradores nas discussões desta quinta-feira estavam o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Google DeepMind, Demis Hassabis, mas não o cofundador da Microsoft, Bill Gates, cujo nome veio a público no escândalo do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
“Após uma consideração cuidadosa, e para garantir que a atenção se mantém focada nas principais prioridades da cimeira da IA, o senhor Gates não fará o seu discurso de abertura”, disse a fundação que tem o seu nome. A cimeira deverá terminar com uma declaração sobre a regulamentação futura do uso da IA.
Impulsionada pelo forte desempenho das empresas tecnológicas no mercado bolsista, a revolução em curso está a gerar preocupações sobre o impacto no ambiente, no emprego, na criação artística, na educação e na informação. Um dos principais receios diz respeito às consequências da IA no mercado de trabalho, particularmente na Índia, onde milhões de pessoas trabalham em ‘call centers’ e serviços de suporte técnico.
Com mil milhões de utilizadores de internet, a Índia orgulha-se de ser o primeiro país em desenvolvimento a acolher esta cimeira, a quarta dedicada a esta tecnologia, que teve início na segunda-feira. Na terça-feira, o ministro da Tecnologia da Informação da Índia, Ashwini Vaishnaw, anunciou que o país espera atrair um total de 200 mil milhões de dólares (170 mil milhões de euros) em investimentos tecnológicos nos próximos dois anos, principalmente para projetos de IA.
Os gigantes tecnológicos globais aproveitaram a oportunidade para anunciar novos acordos, bem como investimentos e projetos de infraestruturas para este país do Sul da Ásia, que está prestes a tornar-se a quarta maior economia do mundo. A OpenAI e a indiana Tata Consultancy Services anunciaram hoje a construção de um centro de dados na Índia.
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