BRANDS' CAPITAL VERDE Restaurar vs. pisar o risco

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  • 6 Abril 2026

Numa altura em que Portugal está a escrever o seu Plano Nacional de Restauro da Natureza, Nuno Gaspar de Oliveira, CEO e cofundador da NBI, alerta para a importância da proatividade neste tema.

Há uma economia que funciona em silêncio debaixo dos nossos pés e que raramente entra nas conversas sobre risco climático. Um metro quadrado de solo saudável contém mais organismos vivos do que seres humanos no planeta e são eles que filtram a água que bebemos, decompõem a matéria que nos alimenta, e regulam o ciclo do carbono que nos mantém vivos, o que significa que quando esse solo arde não perdemos paisagem, perdemos infraestrutura.

No verão de 2025, um incêndio atravessou a área florestal de Castelo de Vide, no Alto Alentejo, e nos relatórios de gestão aparecerá como um evento extremo, mas no terreno foi outra coisa: foi um sistema que colapsou, com os habitats que travavam a erosão a desaparecerem, as espécies invasoras a encontrarem campo aberto e a capacidade de sequestro de carbono que, naquele ativo, estava acima da média, a recuar anos numa única tarde. O risco climático que mais nos deveria preocupar não vive nas projeções de temperatura nem nos cenários macroeconómicos, vive no solo que seca, na linha de água que deixa de correr, na vegetação que simplesmente não regressa.

Portugal está neste momento a escrever o seu Plano Nacional de Restauro da Natureza, cumprindo o Regulamento Europeu que exige a recuperação de pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas degradadas até 2030, com submissão à Comissão Europeia prevista para agosto de 2026, e é um exercício indispensável, mas as organizações ambientalistas já avisam que sem financiamento real e sem o envolvimento concreto do setor privado será um mapa estratégico desenhado sem bússola financeira.

Nuno Gaspar de Oliveira, CEO e cofundador da Natural Business Intelligence (NBI)

E é precisamente aqui que a história se torna interessante porque o Super Bock Group não esperou pelo plano. Iniciou em 2024 a primeira Due Diligence Ecológica sistemática, com o apoio da NBI, aplicada ao conjunto de nove ativos rústicos, criando uma baseline ecológica completa, com avaliação de habitats, flora, fauna, solo, recursos hídricos e stock de carbono, de tal forma que, quando Castelo de Vide ardeu, o diagnóstico já existia e as ações de restauro, desde o controlo de invasoras à regeneração da vegetação autóctone, nasceram de dados e não de pânico.

No Terreno do Carrasco, junto a Pedras Salgadas, seis hectares degradados estão a tornar-se floresta ativa em parceria com a WWF Portugal, com resultados já mensuráveis na retenção hídrica e no sequestro de carbono, e na Quinta da Sabina, em Leça do Balio, o restauro ecológico protege diretamente as captações de água da fábrica de cervejas num ponto de convergência raro, em que a ecologia e a conta de exploração dizem exatamente a mesma coisa.

Tudo isto importa porque desmonta um dos mitos mais persistentes da política ambiental portuguesa, que é a ideia de que o restauro ecológico é um custo, uma obrigação regulatória, um fardo que cai sobre quem produz, quando os dados dizem o contrário: segundo as estimativas compiladas pela Comissão Europeia, cada euro investido em restauro pode gerar entre 8 e 38 euros em benefícios socioeconómicos, o que significa que o problema nunca foi o retorno, foi a miopia.

O Plano Nacional está a ser escrito, e bem, mas a lição mais útil que dele pode sair já está no terreno, escrita por quem percebeu que o solo debaixo dos seus ativos não é um detalhe da gestão patrimonial, mas o próprio alicerce do negócio. E essa lucidez, convenhamos, merece um brinde.

Nuno Gaspar de Oliveira, CEO e cofundador da Natural Business Intelligence (NBI)

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