Seguradora Allianz processa 6 ativistas pró-palestina

  • ECO Seguros
  • 13 Maio 2026

No Reino Unido é a primeira vez que uma seguradora age legalmente contra ativistas causadores de distúrbios junto e dentro de instalações da empresa.

A seguradora alemã Allianz avançou com uma ação cível contra seis ativistas pró-Palestina alegadamente ligados ao movimento Palestine Action, reclamando perto de 300 mil libras em indemnizações por danos causados em protestos realizados em dois escritórios da companhia no Reino Unido.

Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica, a ação judicial surge na sequência de dois protestos ocorridos em outubro de 2024 e março de 2025, em Guildford e na City de Londres, respetivamente, que tiveram como alvo a relação comercial entre a Allianz e a Elbit Systems, uma das maiores fabricantes privadas de armamento de Israel.

Durante as manifestações, ativistas terão pintado fachadas com tinta vermelha, escalado edifícios e exibido faixas a exigir que a seguradora terminasse os contratos de seguros com a subsidiária britânica da Elbit Systems. A Allianz confirmou posteriormente que, tal como a seguradora Aviva, deixou de trabalhar com a Elbit Systems UK no ano passado.

Nos documentos judiciais citados pelo Financial Times, a Allianz argumenta que os protestos causaram disrupção substancial à operação da empresa, provocaram “ansiedade, perturbação emocional e intimidação” nos funcionários e exigiram exigiram extensas reparações face aos danos causados. A seguradora sustenta ainda que o tribunal civil é “o fórum apropriado” para recuperar os custos dos danos.

A Allianz UK exige agora um total de 289.694 libras, valor que não inclui custos legais. Os seis ativistas contestam o montante reclamado e acusam a seguradora de tentar criar um “efeito dissuasor” sobre futuros protestos.

Levar-nos aos tribunais civis enquanto os processos criminais ainda decorrem demonstra uma tentativa de intimidação para travar futuras ações de ativismo”, afirmou Renée Eshel, uma das ativistas visadas, citada por meios britânicos. O começo do julgamento – independente do processo cível da Allianz – está previsto para outubro e é promovido pelo Estado alegando danos criminais e violação de propriedade agravado, ocorridos nos dois eventos.

De acordo com os ativistas, o valor inicialmente reclamado pela Allianz era substancialmente inferior, tendo aumentado em cerca de 200 mil libras após pedidos da defesa para suspender o processo civil até à conclusão dos processos criminais em tribunal.

O caso poderá tornar-se um precedente relevante no setor segurador britânico, ao marcar uma das primeiras vezes em que alegados participantes em ações de protesto deste tipo enfrentam processos cíveis de elevada dimensão financeira por danos associados a manifestações direcionadas contra seguradoras.

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