A “Roda da Sorte” e as cartas “Fora do Baralho”: Como a TVI quer estar “no centro da conversa”
Entre o regresso de formatos clássicos e novos ao fim de semana, a TVI desenhou uma grelha focada em otimizar recursos próprios, cruzar o digital e o "Jornal das Pessoas".

A aposta em novas fórmulas no entretenimento, a rentabilização da produção interna e a adoção do mote “Jornal das Pessoas” na informação marcam a estratégia da TVI para a nova temporada. Numa altura em que a disputa pelas audiências anuais se faz por décimas, com a SIC a ter descolado da TVI a partir de junho, José Eduardo Moniz aponta que será o telespectador a responder se a nova grelha apresentada pelo canal da Media Capital vai permitir a liderança.
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“A única coisa que posso acentuar é a relevância que a TVI tem para a sociedade portuguesa, como estação de televisão mais polarizadora de opiniões e contra-opiniões. É aquela que mais move as pessoas no sentido de se posicionarem perante aquilo que uma estação de televisão vai fazendo no seu dia-a-dia”, argumenta o diretor-geral da TVI, em declarações ao +M, à margem do evento de apresentação de novidades para a nova temporada, cuja mecânica foi inspirada na “Roda da Sorte”.
Um dos focos da nova grelha é a aposta nos “grandes formatos”. “Mesmo em horários onde alguns consideram que ainda não há espaço para isso, pensamos exatamente o contrário”, explicou José Eduardo Moniz durante a apresentação, exemplificando com o “Fora do Baralho”, formato de sábado à tarde que vai unir Manuel Luís Goucha e João Patrício na apresentação, e que será ainda lançado este mês. “Acreditamos que a ‘grande televisão’ tem de existir sempre, independentemente do horário. Não tem um hora proibida. Ela tem espectadores ao longo do dia, independentemente da hora em que vai para o ar“, defendeu ainda.
A aposta no acesso ao horário nobre faz-se com “A Roda da Sorte”, de segunda a sexta às 19h e apresentado por Cristina Ferreira. O formato, que nasceu internacionalmente em 1975 e já passou em Portugal pela RTP1 e pela SIC, arranca também já este mês. “É indiscutivelmente um programa estrutural da nossa grelha e, nessa perspetiva, confiamos no trabalho que a Fremantle vai fazer connosco, em conjunto com a EMAV, para que o programa corresponda às expectativas que temos”, declarou o diretor-geral ao +M.
A aposta em novos formatos surge a par da rentabilização dos recursos internos da estação, com a manutenção de programas como o ‘Dois às 10’, ‘Momento Certo’, ‘Querido Mudei a Casa’, ‘A Sentença’, ‘Em Família’ e ‘Funtástico’. “Há vários programas neste momento que são estruturais no conjunto da oferta que fazemos, como seja o ‘Dois às 10’, como seja o ‘Goucha’, como seja a ‘Sentença´ como seja agora este programa que vamos ter aos sábados. É tudo feito em produções internas da TVI. O que significa que a TVI está a rentabilizar até ao máximo aqueles que são os seus recursos, quer de produção, quer financeiros, quer criativos“, referiu José Eduardo Moniz.
Ainda no entretenimento, o “Big Brother All Stars” estreia no domingo, dia 6 de setembro. O reality show vai ser apresentado por Maria Botelho Moniz. Na ficção, o destaque foi para a novela “Coração de Mãe”, com estreia marcada para a segunda-feira, dia 7 de setembro e que é protagonizada por Joana Solnado, Diogo Morgado e Paulo Rocha. Pedro Abrunhosa dá voz ao tema de genérico com a música “Para os Braços da Minha Mãe”.
Foi ainda revelado elenco da nova novela escrita por Maria João Mira, “Segredos de Família”, com Alexandra Lencastre, Catarina Nifo, Dalila Carmo, São José Correia e Adriano Luz nos papeis principais. Está confirmada também a segunda temporada da série Lisbon Noir”, em parceria com a Prime Video.
“Jornal das Pessoas” é o mote da informação
No campo da informação, o responsável destaca que as novidades vão “no sentido de a TVI se aproximar cada vez mais daquilo que é o sentir dos portugueses e daqueles que são os reais interesses dos espetadores. É nisso que estamos a trabalhar. Somos uma estação de proximidade, sempre dissemos que o éramos, sempre defendemos esse princípio, sempre insistimos nessa tecla e vamos continuar a mantê-la.”
A TVI vai apostar no conceito “Jornal das Pessoas”. Nuno Santos, diretor de Informação da TVI e diretor da CNN, explicou ao +M a premissa. “É, de certa maneira, uma forma de o comunicarmos externamente, mas também de, internamente, termos as equipas mais alinhadas na maneira como devemos produzir os conteúdos ou trabalhar as notícias”.
Este conceito resulta em cinco novas rubricas:
- “Explica-me” — descodificador de assuntos
- “Código Humano” — dedicado às áreas da medicina, inovação e ciência
- “É Fazer as Contas” — sobre temas económicos e financeiros
- “Pessoas como nós” — pessoas comuns que têm histórias extraordinárias
- “Vida boa” — dedicado ao lazer, à área dos espetáculos e ao lifestyle
Segundo Nuno Santos, a lógica passa por acrescentar mas também “sistematizar” espaços que “já existiam de forma, mais ou menos, não sistematizada”. Estas rubricas juntam-se às já existentes como “Exclusivo”, “Polígrafo”, “Nas Costas dos Outros” e “Repórter TVI”.
Questionado sobre novidades da CNN Portugal, Nuno Santos remeteu detalhes para dentro de cerca de duas semanas, dizendo apenas que a estação costuma anunciar mudanças em duas vagas, uma em setembro e outra em novembro. Sobre um possível regresso de Manuela Moura Guedes num formato da CNN em parceria com o Sol, optou por não comentar nesta fase.

Olhos postos no futuro
José Eduardo Moniz avança que a estação vai ter em desenvolvimento cinco novas novelas no próximo ano, todas de curta duração — a rondar os 100 episódios. A aposta neste tipo de formato iniciou-se no ano passado, com “Amor à Prova”, tendo na altura referido que queriam que “o espectador português não tenha de esperar um ano pelo fim de uma história”.
Está também na calha um novo reality show, ainda sem data. “Já está identificado. Estamos neste momento a discutir com o produtor e estamos a fazer a calendarização daquilo que vamos fazer no próximo ano. Será um formato com provas já dadas“, explicou.
Já no digital, o canal quer reforçar a operação “a todos os domínios”, inclusivamente na informação. A TVI está a preparar também novos podcasts. “Todos sabemos que hoje as televisões não se esgotam nelas próprias, não são uma ilha no conjunto dos media que existem, e, portanto, vamos trabalhar no sentido de reforçar aquele que é o nosso posicionamento no universo mediático”, adianta o diretor-geral.
Comentando a aposta nos microdramas, Moniz destaca que os primeiros números “são muitos encorajadores”, estando a TVI a conversar com entidades estrangeiras no âmbito dessa estratégia. “Tenho insistido na tecla de que Portugal é um mercado muito pequeno, portanto, se queremos ser relevantes e crescer, obviamente temos de nos associar a outras marcas, a outros produtores, a outras entidades que nos possam ajudar a alavancar a ambição que temos”, explica.
A TVI tem apostado na sua parceria com a Prime Video, que já viu séries como “Morangos com Açúcar” e “Lisboa Noir”, assim como “Terra Forte” e a futura “Coração de Mãe” na plataforma. No entanto, Moniz destaca que não estão limitados a trabalhar apenas com a Prime Video, em relação à estratégia. “Podemos trabalhar com outras entidades e, dentro em breve, se saberá. E vamos fazer isso a vários níveis, com produto televisivo e com produto digital“, responde.
Sobre a Media City, a nova sede na qual o grupo está a investir cerca de 50 milhões de euros e que tinha como previsão estar pronta já este ano, o diretor-geral da TVI prefere não apontar uma nova data, com os trabalhos já em execução. “Está a trabalhar-se no sentido de, o mais cedo possível, a Media City estar em funcionamento“, aponta.
Questionado sobre a sua manutenção na TVI, cujo contrato, segundo o Correio da Manhã, foi renovado até ao final de 2027 (com mais um ano opcional), Moniz recusou confirmar os termos, afirmando só que é por mais tempo. “Não tenho por hábito falar daquela que é a minha relação contratual com as empresas com as quais trabalho. Se porventura a TVI entender divulgar, é uma questão que compete à TVI e não compete a mim.”
Numa mensagem para os trabalhadores da TVI durante a apresentação, José Eduardo Moniz pediu ambição. “Quero que tenham orgulho nesta casa. Mas quero também inquietação. Quero ambição. Quero pessoas capazes de perguntar: ‘Porquê é que nós fazemos isto? Porquê é que não experimentamos aquilo? Porquê é que a televisão tem de ser sempre assim?’. Se têm ideias que parecem demasiado grandes, tragam-nas. Se parecem difíceis, tragam-nas na mesma. E se alguém disser: ‘isso nunca se fez neste horário’… então talvez seja exatamente aí que devemos experimentar.”
O responsável também dirigiu uma mensagem aos anunciantes e parceiros da estação. “Aquilo que vos apresentámos esta tarde não é apenas uma grelha, são oportunidades para criarmos acontecimentos em conjunto, na televisão e no digital. A televisão mudou. O público mudou. A publicidade mudou. Também temos a obrigação de continuar a mudar. Sem perder aquilo que nenhuma tecnologia conseguiu substituir: uma boa história e milhões de pessoas com vontade de a ver ao mesmo tempo“, remata.
Recorde-se que a Media Capital fechou o primeiro semestre com um prejuízo de 1,6 milhões de euros.
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