Ativo do dia: Bitcoin em máximos de oito meses

Criptomoeda regressou a valores de janeiro, aproximando-se dos 86 mil dólares, animada pelas entradas em fundos ETF, fecho de posições curtas e por decisões regulatórias favoráveis.

O ativo:

Bitcoin é a maior e mais popular criptomoeda do mundo. Criada em 2009, por um investidor com o pseudónimo Satoshi Nakamoto, a bitcoin é um criptoativo descentralizado, que permite realizar transações digitais sem a necessidade de um intermediário central e sem estar dependente de um banco central. As moedas digitais, como a bitcoin, recorrem à criptografia (codificação de informação) para proteger transações e pagamentos e controlar a criação de novas unidades monetárias. O preço da cotação tem grandes oscilações, que acarretam grande risco de perdas (e ganhos) de capital.

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O marco:

A bitcoin atingiu os 85.863,43 dólares, o que não acontecia desde janeiro.

A causa:

Este tem sido um ano marcado por fortes variações das cotações da bitcoin, com a guerra no Irão e os receios que a subida de preços leve a uma política monetária mais restritiva a condicionarem o desempenho da criptomoeda, que segue cerca de 32,5% abaixo do máximo histórico de cerca de 126.000 dólares, atingido em outubro de 2025. Apesar deste ambiente de grande instabilidade, a moeda virtual recebeu uma boa notícia a nível regulatório e beneficiou de uma onde de subscrições em fundos ETF, que aceleraram a subida da bitcoin neste arranque de semana.

O regulador do mercado de capitais norte-americano, a SEC deu, na semana passada, luz verde à negociação de versões digitais de títulos financeiros no país, o que ajudou a melhorar o sentimento dos investidores em relação ao criptoativo. Além disso, os ETF de bitcoin captaram 593 milhões de dólares na quinta e sexta-feira, compensando as fortes saídas registadas nos dois dias anteriores e determinando um saldo positivo de seis milhões de dólares no acumulado da semana. Por outro lado, nas últimas 24 horas, foram liquidadas cerca de 648 milhões de dólares em posições curtas no mercado de criptoativos, o que contribuiu para o otimismo em torno da bitcoin.

O que esperar a seguir:

“Esta semana, não há propriamente grandes catalisadores a acompanhar, mas quaisquer declarações de responsáveis da Fed que revelem uma posição mais restritiva ou mais acomodatícia poderão ter impacto no mercado“, explica Jeff Mei, diretor de operações da BTSE, citado pela Bloomberg. Apesar de o banco central norte-americano ter anunciado na semana passada uma subida da taxa dos fundos federais de 25 pontos base, os analistas acreditam que os investidores já estão a perceber que estão preparados para viver num mundo com taxas mais altas, conforme realça Chris Beauchamp, da IG. Uma nova escalada da guerra no Irão pode, contudo, minar, mais uma vez, o sentimento dos investidores.

A frase:

As criptomoedas estão a valorizar, num movimento impulsionado pelas recentes entradas de capital e que deverá atrair ainda mais desses fundos. Talvez os investidores estejam a perceber que podem viver num mundo de taxas de juro mais elevadas nos EUA, embora a descida dos preços do petróleo [esta segunda-feira] também ajude certamente.

Chris Beauchamp

Analista-chefe de mercados da IG

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