Educação que transforma
É isto que a educação deve perseguir. Segue-se agora a pergunta que importa colocar: é isto que a educação em Portugal está a fazer ou, pelo menos, a tentar fazer?
Em abril deste ano, em Coimbra, na Grande Conferência Educação e Transformação 2026 foi dado o mote: fazer um diagnóstico da Educação em Portugal e não ficar por aí. Propor mudanças que fossem realistas, mas ambiciosas, que trouxessem impacto e transformação numa área onde tudo começa e muito se decide sobre o que será uma sociedade e um país: a Educação.
Contagiada por este apelo e necessidade de agir estrategicamente no setor – a bem do Futuro do país – quisemos continuar a conversa e trazer para cima da mesa uma perspetiva adicional: o que pode a educação pública aproveitar dos bons exemplos dos projetos internacionais de educação que são hoje já muito relevantes no panorama nacional da educação.
Num encontro promovido na PLMJ com a WinWorld, no passado dia 23 de junho, quisemos refletir sobre o setor da educação, a escola pública e privada, e explorar as novas perspetivas destes projetos internacionais que têm surgido e crescido em Portugal nos últimos anos, e aprender com o mundo.
A primeira coisa que é preciso fazer notar é que, ao contrário do que muitas vezes acontece, quando reunimos o setor, público e privado, há consenso sobre o essencial, sobre a visão: todos concordam que a educação deve ser um ato de transformação. Transformar crianças e desejar que estas transformem as suas comunidades, para que se transforme (para melhor) o nosso país.
É isto que a educação deve perseguir. Segue-se agora a pergunta que importa colocar: é isto que a educação em Portugal está a fazer ou, pelo menos, a tentar fazer?
Há um conjunto de condições para que este desígnio se materialize – todas elas diagnosticadas em Coimbra – e quisemos debatê-las também com as escolas internacionais neste segundo encontro de junho.
É preciso valorizar os professores – reconhecendo que estes são os verdadeiros motores da mudança. Há que abraçar a reinvenção da escola com ambição, o que implica repensar as estruturas e métodos instalados. É preciso aproximar a escola da vida real – a escola tem de preparar os alunos para os desafios que efetivamente vão ter. A autonomia das escolas, dos professores e dos alunos é um valor inalienável: tem de ser dada autonomia à escola, aos professores e aos alunos, o que significa ter confiança na capacidade de cada comunidade educativa para encontrar as suas soluções e fugir do modelo totalmente centralizado em que vivemos há anos. É preciso experimentar com ousadia e escalar o que funciona – temos de ser capazes de consolidar boas práticas e abandonar a lógica do projeto-piloto permanente e usar a tecnologia com inteligência e humanidade e colocá-la ao serviço da aprendizagem.
E se a visão é transformar, a ambição tem de ser a de usar a escola como primeira ferramenta de mitigação de desigualdades. A escola tem de reduzir desigualdades, sempre — porque é para isto que a escola deve existir; só haverá transformação se a escola for genuinamente inclusiva.
E o que trazem os projetos educativos internacionais a esta equação?
Estes projetos têm, seguramente, uma capacidade financeira diferente da que a escola pública portuguesa tem. Mas será só isto que diferencia estas realidades? Não tirando importância a este aspeto (porque não seria justo), concluiu-se que o que verdadeiramente as distingue não é o orçamento. São as práticas e os modelos educativos que adotam, mais abrangentes, mais adaptados à vida real e mais focados na capacitação efetiva de alunos e de professores.
Estes modelos tornam as suas escolas mais ágeis e eficazes na resposta aos desafios de hoje e na preparação dos alunos para os desafios do futuro, e é urgente levar estas práticas à escola pública. Se o setor privado internacional mostra que é possível educar de forma diferente e com melhores resultados, o setor público não tem apenas a oportunidade, tem sim a obrigação de aprender a fazer o mesmo. Tem de se adaptar e implementar mudanças que nos levem todos a melhores resultados.
Todos queremos o desenvolvimento e a prosperidade socioeconómica de Portugal, mas sem esta interação entre a escola publica e a privada e sem este contágio dos projetos internacionais, dificilmente a escola pública mudará, e só por milagre Portugal se transformará.
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