Apple processa Qualcomm e reclama mil milhões de dólares

É mais uma ação judicial contra a Qualcomm. A Apple acusa a fabricante de processadores de cobrar royalties por tecnologias com as quais "não tem nada a ver". Empresa contrapõem: "Não tem fundamento".

A Apple processou a Qualcomm, uma das principais fornecedoras da fabricante do iPhone. Sim, mesmo a sério: a corda partiu e a marca diz que já não aguenta que a fabricante de processadores cobre royalties “por tecnologias com as quais não tem nada a ver”, indicou em comunicado. Agora, a Apple reclama mil milhões de euros por isso, avançou a CNBC este sábado.

A empresa de Tim Cook garante que, “apesar de ser uma de mais de uma dezena de empresas que contribuíram” para o desenvolvimento básico dos telemóveis, “a Qualcomm insiste em cobrar à Apple pelo menos cinco vezes mais em pagamentos do que todos as outras” empresas patenteadas juntas e com os quais a marca tem acordos.

A notícia surge menos de uma semana depois de os comissários da Federal Trade Comission terem instaurado outro processo à Qualcomm devido à forma como a empresa licenceia tecnologia para telemóveis. Mais propriamente, as autoridades norte-americanas acusam a fabricante de processadores de ter recorrido a práticas ilegais para garantir um monopólio no setor.

A fabricante tem enfrentado ainda as autoridades da Coreia do Sul pelos mesmos motivos, que admitem multá-la em 854 milhões de dólares. A Apple terá sido chamada para colaborar com as autoridades, e fê-lo, garante no comunicado. Decisão que terá caído mal junto da Qualcomm, que, acusa a Apple, está a “reter cerca de mil milhões de dólares da Apple em pagamentos como retaliação”.

A Qualcomm reagiu num comunicado, dizendo que as acusações da Apple “não têm fundamento”: “A Apple, intencionalmente, caracterizou mal os nossos acordos e negociações, tal como a grandeza e valor da tecnologia que inventámos e que contribuímos e partilhámos com todos os fabricantes de dispositivos através do nosso programa de licenciamento”, acrescentou.

À agência Bloomberg, Mike Walkley, analista da Canaccord Genuity, disse esta segunda-feira que “este parece ser mais um ataque coordenado contra a Qualcomm”, numa altura em que o mercado dos telemóveis já é uma “indústria madura” onde se tenta “obter margens mais altas”. Face a estas informações, as ações da Qualcomm chegaram a cair 14,49% na sessão desta segunda-feira. Agora, os títulos estão a perder 11,37% em Wall Street e a negociar-se a 55,73 dólares cada.

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