Portugal obtém juros negativos recorde em leilão de curto prazo

Tesouro português conseguiu levantar 1.250 milhões de euros em títulos a três e 11 meses com taxas ainda mais vantajosas, depois de a Fitch ter aberto a porta a uma subida do rating da dívida.

Portugal obteve juros negativos recorde no duplo leilão de dívida de curto prazo que realizou esta manhã. No total, o Tesouro português conseguiu levantar os 1.250 milhões que previa com títulos a três meses e 11 meses. Estas condições de financiamento mais vantajosas surgem depois de a agência Fitch ter aberto a porta a uma melhoria do rating da dívida nacional que se encontra num nível “lixo”.

Na ida ao mercado desta quarta-feira, o IGCP colocou 1.000 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a 11 meses a uma taxa de juro média de 0,264%, valor que compara com a taxa de -0,135% que havia registado num leilão semelhante realizado em abril passado. A procura ficou 1,79 vezes acima da oferta, o que permitiu ao país melhorar as condições de financiamento.

No leilão a três meses, as taxas também foram mais negativas: Portugal pagou um juro de -0,337% para levantar 250 milhões de euros em títulos de dívida neste prazo, comparando com a taxa de -0,266% observada no anterior leilão. Também aqui o Tesouro registou forte interesse do mercado, com as ordens de compra a situarem-se 4,5 vezes acima do que estava em leilão.

Esta operação de financiamento ocorre num momento favorável do país no acesso ao mercado, na sequência do bom momento económico que a própria agência de notação financeira Fitch evidenciou no final da semana passada quando melhorou o outlook’ (perspetivas de evolução) do rating da República de “estável” para “positivo”. Com esta decisão, Portugal pode abandonar a categoria “lixo” em que a sua dívida se encontra atualmente.

“Portugal conseguiu financiar-se às taxas mais baixas do ano, beneficiando da descida do risco”, referiu Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa. “Termos a nossa dívida a 10 anos abaixo dos 3% (à volta dos 2,9%) é um bom sinal para os investidores. A maior tranche foi emitida no prazo mais longo, o que também é um bom sinal. (…) Em suma, são ótimas notícias para o financiamento da República“, acrescentou este responsável.

Para José Lagarto, gestor de ativos da Orey iTrade, “o momento de confiança que o executivo português atravessa e a revisão do outlook por parte da Fitch na passada semana da dívida portuguesa de estável para positiva terão contribuído para a redução das yields no leilão de hoje”.

"Termos a nossa dívida a 10 anos abaixo dos 3% (à volta dos 2,9%) é um bom sinal para os investidores. A maior tranche foi emitida no prazo mais longo, o que também é um bom sinal. (…) Em suma, são ótimas notícias para o financiamento da República.”

Filipe Silva

Diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa

Com este leilão, aumenta a exposição do país ao endividamento de curto prazo. De acordo com os dados do Eurostat revelados esta terça-feira, Portugal é o país da Zona Euro que mais se financia com dívida com maturidades mais curtas. No final do ano passado, 16,7% do total do financiamento soberano era de curto prazo.

O recurso ao financiamento a curto prazo tem a vantagem imediata de pagar um juro mais baixo, como aconteceu com o leilão desta quarta-feira. Contudo, também representa um risco acrescido, porque está mais vulnerável a alterações súbitas das condições de mercado.

(Notícia atualizada às 11h14)

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