O legado que Isabel dos Santos diz ter deixado à Sonangol

  • Marta Santos Silva e Tiago Varzim
  • 16 Novembro 2017

Isabel dos Santos, dirigente exonerada da Sonangol, garante que o seu tempo na petrolífera angolana representou uma queda da dívida para pouco mais de metade.

Isabel dos Santos afirma que deixou a Sonangol melhor do que estava enquanto presidiu o seu conselho administrativo, fazendo chegar um comunicado às redações onde detalha o legado que diz ter deixado à petrolífera estatal angolana antes de ser exonerada pelo atual presidente. Entre as vitórias reivindicadas pela empresária está a redução do custo do barril de 14 dólares para sete dólares e a queda da dívida financeira.

Referindo que “a Sonangol não é uma empresa como as outras; é a coluna vertebral da economia nacional e o garante do futuro dos nossos filhos”, a filha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos apresenta várias das mudanças que diz ter feito na empresa, incluindo um corte da dívida para pouco mais de metade e a redução do custo do barril em 50%.

“Sinto-me honrada por ter liderado uma equipa com notável qualidade profissional e de ética inquestionável”, escreve a empresária no princípio do comunicado, sublinhando a palavra “inquestionável”. Isabel dos Santos não deixa de agradecer ao Executivo angolano “que confiou nesta administração, e testemunhar, com sentido de missão, o trabalho desenvolvido desde o ponto em que encontrámos a empresa quando nela ingressamos, até à situação em que deixamos a mesma, à data da nossa saída”. A empresária tinha sido nomeada pelo Governo de Angola quando o seu pai ainda era presidente, em junho do ano passado.

A ex-presidente do conselho de administração da Sonangol faz questão de dizer que, “pela primeira vez na sua história”, em dezembro de 2015, a empresa não tinha conseguido cumprir “com as suas obrigações junto da Banca, tinha dívidas com os fornecedores e pesadas cash calls“. Depois de classificar a situação de “emergência”, Isabel dos Santos reivindica para a sua administração uma herança que culmina no financiamento de dois mil milhões de dólares “que garantirá o pagamento de todos os cash calls relativos a 2017, permitindo, assim, chegar ao final do ano sem dívidas aos nossos parceiros”.

Além de ter reduzido o custo do barril e a dívida, a empresária diz ter aumentado as receitas de 14,8 mil milhões de dólares em 2016 para os 15,6 mil milhões de dólares em 2017. Acresce ainda o aumento da produção da refinaria de Luanda de 50 mil para 60 mil barris. Esta quinta-feira, na tomada de posse da nova administração da Sonangol, João Lourenço deixou um recado: é preciso construir novas refinarias em Angola, projetos que Isabel dos Santos tinha deixado de lado.

O comunicado refere ainda que a Sonangol passou a produzir o combustível para aviões suficiente para as transportadoras angolanas, tendo começado a exportar esse produto. Do mesmo modo, aumentou a produção de gás em “238%”, mais do que o suficiente para o país, tendo exportado gás “pela primeira vez”. Isabel dos Santos congratula-se ainda por não ter despedido ninguém e por ter promovido 400 quadros angolanos.

“Foi também implementada na Sonangol uma cultura de transparência e abertura à sociedade angolana, permitindo uma auditoria constante da ação da equipa de gestão e dos destinos desta nossa empresa”, garante a ex-líder da petrolífera estatal, argumentando que o legado deixado permite a continuidade de crescimento da empresa no futuro.

As principais reivindicações de Isabel dos Santos

  1. Redução da dívida financeira de 13 mil milhões de dólares para os sete mil milhões de dólares;
  2. Aumento das receitas de 14,8 mil milhões de dólares em 2016 para 15,6 mil milhões de dólares em 2017;
  3. Redução do custo do barril de 14 dólares para sete dólares;
  4. Aumento da produção de gás em 238%;
  5. Nenhum despedimento e promoção de 400 quadros angolanos.

(Notícia atualizada às 20h)

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