Portugal entra no radar dos grandes índices de obrigações já este ano

Três dos cinco principais índices de obrigações vão incluir Portugal já no final do ano, depois da Fitch ter retirado o país do "lixo". Governo terá de esperar por abril e Moody's para fazer pleno.

Índices de obrigações de referência já captam o sinal de Portugal nos seus radares.

É o regresso de Portugal à primeira liga da dívida pública. A Fitch retirou o país do nível “lixo” esta sexta-feira e essa decisão vai colocar os títulos portugueses no radar dos principais índices obrigações ainda este ano. São investidores que vão passar a comprar elevados volumes de dívida nacional nas suas carteiras a partir do final do mês. Mas o Governo terá de esperar por abril e pela Moody’s para fazer o pleno nos cinco índices de referência mundiais.

Estes índices investem apenas em títulos de dívida com pouco risco. Só podem comprar obrigações dos Governos que apresentem um rating de qualidade atribuído pelas agências de notação financeira de referência. Por esta razão, Portugal esteve de fora do radar desde a crise da dívida soberana. Esse cenário vai mudar já no final do mês com a melhoria da notação de crédito dada pela Fitch.

É esse o caso do Bank of America Merril Lynch Broad Market Index, do Markit € iBoxx Overall Index e do Barclays Euro Aggregate Index. Estes três índices vão passar a adquirir automaticamente obrigações do Governo português assim que procederem ao ajustamento mensal das suas carteiras até final de dezembro. Como critério de elegibilidade, estes índices usam a média das avaliações de rating atribuídas a um país pelas “Big Three”, Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch. Desde esta sexta-feira que Portugal passou a cumprir este critério: soma avaliações positivas da S&P e agora da Fitch.

Mas cada índice tem as suas próprias políticas e timings de inclusão.

Por exemplo, fonte do índice Bank of America Merril Lynch Broad Market Index explicou ao ECO que “assim que a média das três agências se situar em investimento de qualidade, as obrigações desse país são incluídas nos índices de investimento de qualidade no final do mês em que há essa melhoria, desde que a melhoria tenha ocorrido, pelo menos, três dias úteis anteriores ao último dia do mês“.

Já no iBoxx EUR e no Bloomberg/Barclays Euro Aggregate Index, a inclusão das obrigações também ocorrerá de forma automática no final do mês após o ajustamento das respetivas carteiras. “Qualquer mudança intermensal do rating será considerada durante o rebalanceamento do final do mês”, adiantaram o responsáveis do iBoxx ao ECO.

Moody’s separa Portugal do JPMorgan

Citi só em abril, JPMorgan à espera da Moody’s

Em setembro, depois de a agência S&P ter sido a primeira desde a crise a indicar que Portugal já não é considerado um investimento especulativo, as obrigações portuguesas passaram a ficar qualificadas para o índice Citi Euro Broad IG Index. Este índice exige apenas uma nota de investimento de qualidade de uma das três grandes agências para integrar a dívida na sua lista de compras.

Portugal já entrou no índice? Ainda não. Isto porque o Citi tem regras um pouco mais restritivas na inclusão de um Governo no seu índice. “Se continuar a cumprir todos os requisitos durante três meses consecutivos após o anúncio, o mercado irá juntar-se ao EuroBIG no final dos três meses que se seguirem”, lê-se nas regras deste fundo. Ou seja, só em abril é que começa a comprar títulos de dívida da República.

Certo é que neste momento Portugal vai continuar arredado do índice JPMorgan EMU IG. Este índice tem como requisito que todas as três agências atribuam uma notação de investimento de qualidade, algo que o Governo não cumpre porque falta a Moody’s dar o seu aval.

Portugal não estará assim qualificado para o índice do JPMorgan até que a Moody’s também classifique o país como investimento de qualidade. Isto é diferente dos outros índices de referência, que apenas pedem dois ratings de qualidade.

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