Caos nas bolsas leva Portugal a pagar mais de 2% para se financiar a dez anos

Turbulência nas bolsas provocou aumento dos juros no primeiro leilão de dívida de longo prazo de Portugal em 2018. Mas IGCP pagou menos para se financiar a cinco anos.

Os custos de financiamento no mercado voltaram a subir para Portugal, com o primeiro leilão de dívida de longo prazo do ano a ser afetado pela recente turbulência que assolou as bolsas em todo o mundo. Exemplo disto é o facto de a taxa para se financiar a dez anos ter ficado acima dos 2%, um aumento face a uma operação semelhante realizada há três meses. Ainda assim, os investidores exigiram uma taxa menor para financiar o Estado a cinco anos.

Feitas as contas, o IGCP conseguiu levantar os 1.250 milhões como pretendia com esta operação. Mas não se livrou de um aumento dos encargos para emitir a dez anos, tal como os analistas já haviam antecipado ao ECO.

No leilão de obrigações do Tesouro a dez anos, Portugal pagou uma taxa de juro de 2,046% para conseguir 760 milhões de euros, com procura a dobrar a oferta. A taxa compara com a yield de 1,939% do último leilão comparável, realizado em novembro do ano passado, numa operação que permitiu encaixar bem mais dinheiro do que agora — 1.250 milhões de euros.

 

Leilão de dívida a dez anos volta a registar subida das taxas

Fonte: IGCP

Já para emitir títulos com maturidade em outubro de 2022 (quase cinco anos), a taxa exigida pelos credores foi de 0,577%. Nesta linha foram conseguidos 490 milhões de euros e aqui as manifestações de interesse dos investidores tão significativa: ordens de compra ficaram 3,67 vezes acima do que o IGCP leiloou. No anterior leilão equiparável, realizado em outubro do ano passado, a taxa foi de 0,916%.

Embora os encargos com a dívida tenham subido ligeiramente na maturidade principal, os analistas não veem razões para alarme, situando este agravamento num contexto circunstancialmente abalado pela pressão que os mercados evidenciaram nas últimas duas semanas.

“São alguns pontos bases mais acima, mas que não irão ter impacto no custo médio global da dívida pública, que deverá continuar nos 3%”, tinha sublinhado ao ECO Paulo Rosa, senior trader do Banco Carregosa, numa antecipação ao leilão.

Na base desta pessimismo dos investidores estiveram receios de que a Reserva Federal norte-americana vá subir as taxas de juro diretoras em 2018 mais vezes do que se estava à espera, depois de dados da economia sugerirem uma taxa de inflação a caminho daquilo que é a meta do banco central americano.

Por causa disto, os juros associados às obrigações dos governos também subiram e Portugal não ficou excluído desta reavaliação de ativos que se observou a nível mundial.

No mercado secundário, a yield implícita nas obrigações portuguesas a dez anos seguia nos 2,084%.

(Notícia atualizada às 11h24)

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