Lucro dos CTT afunda 65% para 6,3 milhões de euros

A trajetória de queda nos lucros dos CTT continua. A empresa reportou uma quebra no resultado líquido na ordem dos 65%, para 6,3 milhões de euros. Indemnizações a trabalhadores pesaram nas contas.

Os CTT voltaram a entregar menos cartas no primeiro semestre e viram o lucro ser penalizado pelas indemnizações pagas aos trabalhadores no âmbito do plano de reestruturação da empresa. Comparando com o mesmo período do ano passado, o resultado líquido dos correios afundou 64,8% para 6,3 milhões de euros. No mesmo semestre do ano passado, o lucro tinha caído 44%. A empresa reportou os números esta terça-feira após o fecho dos mercados, num comunicado enviado à CMVM.

Por um lado, a empresa liderada por Francisco de Lacerda registou uma melhoria substancial dos rendimentos operacionais, na ordem dos 0,9%, para 355,1 milhões de euros, Aliás, as receitas com o negócio do correio subiram 0,3%, para 270,6 milhões de euros. Mas, por outro lado, o tráfego de correio endereçado caiu 7,9%, tendo passado pelas mãos dos CTT cerca de 357,3 milhões de objetos entre janeiro e junho.

Os correios explicam este fenómeno de queda de tráfego mas aumento das receitas com um “efeito conjugado”. Isto é, um “crescimento do tráfego do correio internacional de chegada e menor queda do correio registado”, um “aumento da receita média por objeto” devido à atualização de preços em abril de 2018 (subiram 4,1%) e, em contrapartida, uma queda do tráfego do correio endereçado, que foi superior ao antecipado pela empresa.

“O tráfego de correio endereçado decresceu 7,9% no primeiro semestre de 2018, uma quebra superior ao limite máximo esperado”, reconhecem os CTT no comunicado — o guidance previa uma queda do volume de correio entre 5% e 6%. No entanto, houve um fator que contribuiu para esta queda, de acordo com a empresa: “Esta evolução foi influenciada negativa pela existência de menos um dia útil do que no primeiro semestre de 2017”.

Em declarações ao ECO, Francisco de Lacerda admite que o “efeito conjugado” foi maioritariamente um “efeito do mercado”. “É um misto. A componente principal tem a ver com o efeito do mercado, mas também tem a ver com a nossa estratégia de promover produtos de maior valor”, explicou o presidente executivo dos CTT. Sobre os resultados do semestre, garante que a empresa está “a conseguir ter uma geração de EBITDA sólida, resultado da evolução das alavancas de crescimento” e da redução dos custos.

CTT têm menos 312 trabalhadores

Contudo, o que mais penalizou o lucro dos CTT acabou por ser as indemnizações pagas aos trabalhadores. A empresa pagou 13,7 milhões de euros em indemnizações pelas rescisões contratuais, um custo não recorrente. Ora, no final de junho, a empresa tinha 12.599 trabalhadores, menos 312 pessoas do que no ano passado. As rescisões surgem ao abrigo do plano de reestruturação, que prevê a saída de 1.000 funcionários até 2020.

Contas feitas, os CTT fecharam o semestre com um lucro de 6,3 milhões de euros, menos 64,8% do que em 2017. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) também caiu, na ordem dos 32,2%, para 31 milhões de euros. As receitas totais foram de 355,1 milhões de euros neste período. A aposta forte continua a ser o segmento de expresso e encomenda, onde a empresa viu as receitas crescerem 17,7% para 73,9 milhões de euros, segundo revela no comunicado enviado à CMVM.

A despesa dos CTT aumentou 5,8% no semestre, para 324,1 milhões de euros. A subida é explicada com um “aumento dos gastos variáveis associados ao crescimento do tráfego de Expresso e Encomendas em Portugal e Espanha e à evolução das vendas (lotaria)”. Em contrapartida, a empresa sublinha a “diminuição dos gastos com pessoal”.

Banco CTT está a render mais

“Concluído o primeiro semestre de 2018, o Banco CTT conta com 27 meses de atividade, estando presente em todo o território nacional, continente e ilhas, com 212 lojas”, começa por dizer a empresa relativamente a este negócio. “Os rendimentos operacionais desta área de negócio atingiram 10,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2018, um crescimento de 23,3% face ao mesmo período do ano anterior”, sublinham os CTT.

Concretamente, o Banco CTT fechou o semestre com 350 mil clientes, o que se traduz “em cerca de 285 mil contas de depósitos à ordem”. A empresa já atraiu depósitos no valor de 736 milhões de euros e registou “um crescimento significativo da carteira de crédito para cerca de 149 milhões de euros”. Recentemente, o banco adquiriu a empresa de crédito especializado 321 Crédito, focada nos empréstimos para a compra de automóveis em segunda mão.

Os CTT dizem ainda que “este semestre fica também marcado pela passagem da sociedade Payshop para o perímetro do Banco CTT, representando mais um passo na concentração das atividades de pagamentos no grupo, com vista a potenciar a capacidade para abordar as oportunidades e desafios nesta área de negócio”. O ECO revelou esta terça-feira que os CTT pretendem integrar todos os serviços de pagamentos no perímetro da Payshop, debaixo da chancela do Banco CTT, o que deverá acontecer no próximo ano.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h55)

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