CTT contratam americanos especialistas em dar a volta à crise do negócio postal

Correios vão concentrar centros de distribuição postal em plataformas de grandes dimensões. CTT falam em investimento de 40 milhões de euros em modernização. Consultora A.T. Kearney preparou plano.

Os CTT contrataram uma consultora multinacional que é especialista em dar a volta à crise do negócio postal e preparam-se para apresentar um plano de concentração dos centros de distribuição em todo o país, apurou o ECO junto de várias fontes. Contactada, a empresa liderada por Francisco Lacerda não deu detalhes sobre o plano, mas já anunciou entretanto que vai investir 40 milhões de euros na modernização da rede.

A consultora em questão é a A.T. Kearney que, entre as várias áreas de expertise, ajuda empresas do setor dos serviços postais e encomendas a “lidar com as ameaças emergentes aos modelos de negócio mais tradicionais”, tais como “erosão dos volumes core (devido ao e-mail e à queda da procura privada)” e “competição de novos operadores especializados”.

“Ajudamos a rever a sua direção estratégica e capacidades operacionais para competir num mercado em rápida mudança”, lê-se na apresentação da consultora na sua página de internet.

Esse parece ser o caso dos CTT CTT 0,36% , que viu o lucro a afundar mais de 50% no ano passado, pressionado pela queda do tráfego do correio (dados da empresa mostram que o tráfego endereçado caiu 50% desde 2001), o que levou a empresa liderada Francisco Lacerda a anunciar há um ano um plano de reestruturação que passa pela saída de trabalhadores e ajustamento da rede comercial.

Em contrapartida, a empresa assume agora como principal alavanca de crescimento o negócio de entrega de encomendas e o Banco CTT, duas áreas que têm conhecido novidades relevantes nos últimos meses, como a criação de uma plataforma de comércio online com a retalhista Sonae ou a compra da instituição de crédito ao consumo 321 Crédito.

No âmbito desse plano de reestruturação apresentado em dezembro do ano passado já se previa uma revolução na rede de distribuição dos CTT, nomeadamente o “redesenho da arquitetura e da cobertura da rede” e a “concentração dos centros de distribuição postal”. O objetivo passa por ter uma rede adaptada “às alterações do tráfego e do mix de objetos”. Essa transformação deverá agora avançar com a conclusão dos trabalhos da A.T. Kearney.

Várias fontes adiantaram ao ECO que especialistas da consultora estiveram no terreno em vários pontos do país a avaliar a rede de distribuição dos CTT, tendo efetuado pesquisas no mercado imobiliário à procura de imóveis de grandes dimensões e com características específicas para albergar uma plataforma de distribuição. Não há informação oficial mas entre os trabalhadores fala-se numa reformulação da rede de centros de distribuição através da fusão de pequenos centros e em centros maiores.

Contactada a empresa, fonte oficial diz ao ECO que os detalhes do plano divulgado em dezembro, e onde já constava esta transformação dos centros de distribuição, “serão revelados sempre que se justificar”. Mas poucos minutos depois de o ECO publicar a notícia, os CTT divulgaram um comunicado onde dão conta de um investimento de 40 milhões de euros em modernização da operação postal e logística através de um plano de modernização e investimento que estará em curso nos próximos dois anos.

“O investimento será aplicado em novas máquinas de separação de correio, na modernização da rede, na melhoria das condições dos centros de distribuição e dos equipamentos de trabalho para adequar a um novo perfil de tráfego, respondendo à queda do volume de correio e ao crescimento da área de Expresso & Encomendas”, detalha a empresa.

De acordo com o plano apresentado em dezembro, os CTT esperam que esta medida melhore a eficiência operacional da rede, gerando poupanças de entre 21 milhões e 25 milhões de euros.

Dentro de duas semanas os CTT voltam a apresentar resultados relativos aos primeiros nove meses do ano. Entre janeiro e junho, a empresa registou uma descida de 65% dos lucros para 6,3 milhões de euros.

(Notícia atualizada às 10h53 com comunicado da empresa)

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