Theresa May enfrenta prova de fogo. Vem aí uma moção de censura

Pelo menos 48 deputados conservadores admitem ter perdido a confiança na líder do Governo britânico, desencadeando uma moção de censura. A votação é esta noite.

Theresa May vai mesmo enfrentar a prova de fogo de uma moção de censura convocada pelo seu próprio partido, esta quarta-feira à noite, depois de ter adiado a votação do acordo do Brexit para evitar o chumbo do documento no Parlamento. A notícia foi avançada pela Reuters, pelo The Guardian e pela Bloomberg e confirmada em comunicado pelo Partido Conservador. A primeira-ministra deverá discursar ainda esta manhã.

Pelo menos 48 deputados do Partido Conservador, 15% dos deputados do partido, escreveram cartas ao líder do grupo parlamentar em Westminster, Sir Graham Brady, demonstrando a perda de confiança na líder do Governo, desencadeando um processo que poderá fazer cair a primeira-ministra britânica na reta final do processo do Brexit. Para passar este desafio, mais de metade dos deputados da bancada conservadora terão de votar contra a moção.

Se a moção de censura for chumbada, a liderança de May fica reforçada e não pode voltar a ser posta em causa no espaço de um ano, dando à primeira-ministra mais confiança para fechar o acordo do Brexit e conduzir o Reino Unido até à porta de saída do bloco europeu. Mas, se for aprovada, May é obrigada a demitir-se e começa o processo para escolher um novo chefe para o Governo.

Os termos do acordo têm merecido forte contestação por parte da oposição e até mesmo do próprio partido do Governo. Alguns dos deputados tinham até já enviado a carta para o líder do grupo parlamentar, mas para outros o adiamento da votação foi a última gota. A moção de censura será votada entre as 18h e as 20h desta quarta-feira, sendo que a contagem irá ocorrer imediatamente a seguir.

A chefe do Governo britânico voltou a dialogar com os líderes europeus, antes da cimeira desta semana, marcada para quinta-feira, para tentar esclarecer os termos do mecanismo de salvaguarda previsto para evitar o regresso de uma fronteira na ilha da Irlanda, o tema mais difícil das negociações e que originou as maiores divergências. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, garantiu no Parlamento Europeu que o texto do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia não vai ser renegociado.

O que acontece se a moção for aprovada?

Não é certo que a queda de May tenha de resultar, necessariamente, em eleições antecipadas. Por exemplo, quando David Cameron se demitiu em 2016, na sequência do referendo que desencadeou o Brexit, Theresa May foi escolhida pelos deputados para liderar o Governo na era pós-Cameron (May convocou eleições antecipadas depois, para 8 de junho de 2017, sendo eleita com 42,4% dos votos).

No caso de a moção de censura ser aprovada, só são convocadas eleições antecipadas se o Parlamento for incapaz de gerar um novo Governo no período de 14 dias. Caso isso aconteça, o Parlamento é dissolvido e começam os preparativos para novas eleições legislativas no país. Jeremy Corbyn, líder da oposição e a cara do Partido Trabalhista, é apontado como um dos favoritos a suceder a Theresa May, caso a atual primeira-ministra seja forçada a abandonar o cargo.

(Notícia atualizada pela última vez às 9h10)

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