Covid-19: Centeno diz que economia europeia está a ser atingida como em “tempos de guerra”

  • Lusa
  • 16 Março 2020

O presidente do Eurogrupo diz que o surto de Covid-19 está a ter um impacto na economia como em “tempos de guerra”. Centeno antecipa uma "batalha longa" e onde a Europa dispõe das armas necessárias.

O presidente do Eurogrupo, o português Mário Centeno, afirmou esta segunda-feira que o surto de Covid-19 está a ter um impacto na economia como em “tempos de guerra”, mas garantiu que a Europa recorrerá a todas as suas armas para travar uma batalha que antecipa “longa”.

“Estamos a viver num estado de urgência com este surto de coronavírus […] O confinamento forçado está a trazer as nossas economias a tempos semelhantes aos de uma guerra”, declarou Mário Centeno, numa mensagem de vídeo, divulgada antes do início de uma reunião de ministros das Finanças da Zona Euro, que tem lugar esta tarde por videoconferência.

Apontando que “o Eurogrupo de hoje será dedicado às consequências económicas deste vírus”, Centeno adianta que irá apresentar “uma declaração que estabelece uma resposta política coordenada da UE”, que “contém iniciativas para conter e tratar a doença, apoio a nível de liquidez às empresas, particularmente às PME [pequenas e médias empresas], apoio a trabalhadores e famílias”. No fundo, acrescenta, “medidas que ajudarão a colmatar este fosso até que o vírus esmoreça”.

O presidente do fórum informal de ministros da Zona Euro assegura ainda que “as regras da UE a nível orçamental e de ajudas de Estado não constituirão um obstáculo” no apoio às economias, apontando que “a flexibilidade está lá, e será integralmente utilizada”.

Centeno refere que “os esforços nacionais” são complementados com as “iniciativas lideradas pelas instituições europeias, com a Comissão Europeia, Banco Europeu de Investimento (BEI) e também o Banco Central Europeu (BCE)”.

“Juntos, estamos a dar uma resposta poderosa. Mas sabemos que o vírus não atingiu o seu pico. Não podemos ter ilusões: estes são os primeiros passos numa luta temporária mas longa”, completa Mário Centeno.

Os ministros das Finanças europeus estão esta tarde reunidos, por videoconferência, para acordar, com sentido de urgência “sem precedentes”, medidas que mitiguem o impacto económico do surto do novo coronavírus, que ameaça mergulhar a economia europeia na recessão.

Na sexta-feira, a Comissão Europeia já admitiu como “muito provável” que o crescimento da economia da Zona Euro e do conjunto da União recue para níveis abaixo de zero este ano, face ao “choque” provocado pelo surto de Covid-19.

“Podemos dizer que é muito provável que o crescimento na zona euro e na União Europeia (UE) como um todo caia para baixo de zero este ano, e potencialmente consideravelmente abaixo de zero”, assumiu o responsável máximo da Direção-Geral de Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia (DG ECFIN).

Maarten Verwey falava num briefing para jornalistas na sede do executivo comunitário, em Bruxelas, depois de uma conferência de imprensa da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre a resposta da UE à crise provocada pelo novo coronavírus, sobretudo no plano económico.

“Aquilo a que estamos a assistir é a uma previsão de crescimento que está a deteriorar-se muito rapidamente. Em fevereiro, publicámos as nossas previsões de inverno, e nessa altura ainda pensávamos que a economia da UE cresceria 1,4% e a da Zona Euro 1,2%, mas o que é claro face a tudo o que está a acontecer é que será necessário adaptar [as previsões] e provavelmente de forma muito significativa”, afirmou.

A presidente da Comissão Europeia anunciou na sexta-feira uma verba de 37 mil milhões de euros para apoiar o setor da saúde e as pequenas e médias empresas afetadas pelo novo coronavírus, que começa a causar um “tremendo choque” económico.

Portugal pode vir a arrecadar 1,8 mil milhões de euros em fundos europeus para apoiar setores afetados pela Covid-19, na saúde ou nas pequenas e médias empresas, no âmbito desse ‘bolo’ de 37 mil milhões.

Na prática, o executivo comunitário propôs redirecionar 37 mil milhões de euros de investimento público europeu para fazer face às consequências, tendo por base a opção de Bruxelas de abdicar de reclamar aos Estados-membros o reembolso do pré-financiamento não utilizado para os fundos europeus estruturais e de investimento para 2019.

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