Cofina e Prisa rasgam contrato. TVI não muda de mãos

A Cofina e a Prisa comunicaram aos mercados que o acordo de compra e venda da Media Capital ficou sem efeito. Porém, acusam-se mutuamente pelo insucesso da operação.

Acabou o negócio da TVI. A Cofina comunicou aos investidores que o acordo de compra e venda da Media Capital, assinado com a Prisa, ficou sem efeito. Também a Prisa divulgou um comunicado a confirmar o fim do negócio. Mas as duas empresas responsabilizam-se mutuamente pelo insucesso da operação.

Ao início desta madrugada, a Cofina remeteu uma nota à CMVM apontando para o fim do contrato que tinha assinado com a Prisa, acusando o grupo espanhol de ter recusado renegociar a operação. A dona do Correio da Manhã tinha dado um prazo de “sete dias” aos espanhóis para voltarem à mesa das negociações. Mas, a Cofina alega que a Prisa não quis negociar e que, por isso, o contrato foi resolvido.

“Na falta de qualquer acordo relativo à modificação do contrato de compra e venda de ações representativas de 100% do capital social e dos direitos de voto da Vertix”, a “notificação de resolução do contrato produziu os seus efeitos“, escreveu a Cofina.

Segundo a Cofina, a “declaração de resolução funda-se, entre outros aspetos, numa inesperada e muito significativa degradação da situação financeira e perspetivas da Vertix e da Media Capital, especialmente agravadas pelo presente contexto de emergência causado pela pandemia Covid-19, e no comportamento da Prisa, que incorreu em violações contratuais graves e, por último, manifestou expressamente a intenção de não cumprir o contrato, o que afetou irremediavelmente a relação de confiança entre as partes”.

Com efeito, é neste sentido que a Cofina “transmitiu à Prisa o entendimento de que, mesmo no caso de a declaração de resolução vir no futuro a ser entendida como ineficaz, a concretização da aquisição prevista no contrato sempre dependeria da determinação final do valor da compensação devida à Cofina por força das referidas violações contratuais, a qual, nos termos gerais, deveria ser abatida ao preço contratualmente previsto”.

Em causa está um valor de dez milhões de euros que, apurou o ECO, está depositado numa escrow account — uma conta bancária controlada pelas duas empresas enquanto uma transação se encontra em andamento. Recorde-se que a Cofina considera que não tem de pagar este valor à Prisa como caução no negócio da compra da Media Capital, porque os mesmos “não são devidos”.

Ao final da manhã desta quarta-feira, surgiu a resposta da Prisa. Num comunicado, o grupo que controla a TVI também considera que “o acordo de compra e venda foi resolvido”, mas argumenta que esse é o resultado de a “Cofina ter voluntariamente violado as suas obrigações contratuais”, ao abortar o aumento de capital que iria financiar parcialmente esta compra. Acusa também a Cofina de nunca lhe ter comunicado qualquer “incapacidade de completar” esse aumento de capital “ou intenção de desistir da sua execução”.

Mais: a Prisa rejeita a ideia de que tenha recusado voltar a sentar-se à mesa das negociações, argumentando que, apesar de a Cofina lhe ter dado “sete dias” para negociar, o grupo “não apresentou à Prisa qualquer proposta para alterar o acordo de compra e venda”. “A Prisa tem sempre atuado de boa-fé ao longo deste processo e nega as declarações da Cofina sobre alegadas violações por parte da Prisa”, conclui a empresa liderada por Manuel Mirat.

Não são dados mais detalhes pela Prisa. No entanto, a dona da Media Capital já tinha informado o mercado de que tomaria “todas” as medidas “contra a Cofina” na prossecução dos interesses dos seus acionistas.

(Notícia atualizada às 12h23 com resposta da Prisa)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Cofina e Prisa rasgam contrato. TVI não muda de mãos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião