Empresas de retalho e distribuição reforçam contratações. Procuram milhares de profissionais

A pandemia fez disparar a procura por bens essenciais e a adesão aos serviços de e-commerce. Em resposta, empresas de retalho e distribuição estão a reforçar contratações, um pouco por todo o mundo.

A pandemia do novo coronavírus tem obrigado hotéis, restaurantes e empresas de turismo a dispensar trabalhadores. Por outro lado, há setores que precisam de reforços para conseguir dar resposta ao aumento da procura em tempo de crise, como é o caso dos bens essenciais, de retalho, distribuição e e-commerce.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que o novo coronavírus possa ameaçar diretamente 5,3 milhões de empregos em todo o mundo e, num cenário “negro”, este número pode crescer para os 25 milhões. Mas em algumas empresas, a tendência parece ser diferente. Nas últimas duas semanas, tem crescido o número de empresas que querem reforçar a contratação de novos profissionais, para conseguirem dar resposta ao aumento da procura devido à pandemia.

Em época de quarentena, os pedidos de encomendas online estão a disparar. Para conseguir dar resposta ao aumento da procura, a plataforma de e-commerce Amazon anunciou que está a planear recrutar 100 mil trabalhadores para os departamentos de armazéns e entregas. A Amazon decidiu ainda aumentar os salários da equipa atual em dois dólares por hora nos EUA, duas libras por hora no Reino Unido e aproximadamente dois euros por hora em muitos países da União Europeia, até o final de abril.

Esta sexta-feira, o grupo de distribuição norte-americano Walmart anunciou que quer contratar 150.000 pessoas em regime part-time, até ao final de maio, para responder ao aumento da procura devido ao coronavírus, para as lojas e também para os centros de abastecimento e distribuição. Como a Amazon, a Walmart vai premiar o empenho e dedicação dos trabalhadores já no próximo mês. Os trabalhadores a full-time vão receber um bónus de 300 dólares –o equivalente a 277 euros –, e os trabalhadores em part-time terão direito a um pagamento extra de 150 dólares, cerca de 140 euros.

Tanto a Amazon como a Walmart querem ser uma oportunidade para os trabalhadores que ficaram sem emprego em setores que estão a dispensar profissionais.
Em Portugal, as empresas de retalho e as cadeias de supermercados, estão também a reforçar contratações. O objetivo é continuarem a garantir que os portugueses têm acesso aos bens essenciais e, nesta fase, darem também resposta ao crescimento exponencial das compras online e entregas ao domicílio.

O Lidl Portugal anunciou esta sexta-feira que está a recrutar 500 pessoas para as 258 lojas em todo o país. Também a distribuidora do Pingo Doce anunciou que está à procura de entre 200 a 300 pessoas para assegurar as entregas ao domicílio.

Para ajudar estas empresas a recrutar em tempo de crise e “assegurar serviços mínimos”, a empresa de recursos humanos Multipessoal abriu esta sexta-feira um processo de recrutamento para diferentes funções no setor alimentar. A empresa procura profissionais para trabalharem como repositores, operadores de armazém e de picking, em todo o país.

No caso das empresas que estão em crise e que, em alguns casos se vêm obrigadas a parar a sua atividade, o Governo criou o novo regime de “lay-off”. Neste regime está previsto o corte de um terço dos salários brutos pagos por empresas que se encontrem em situação de fragilidade. Como salvaguarda, a Segurança Social fica encarregada do pagamento de 70% de dois terços do salário dos trabalhadores e as empresas ficam isentas de contribuições sociais, durante este período de crise.

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