Teletrabalho em tempos de pandemia pode ameaçar produtividade

Estudo de Stanford aponta problemas relacionados com a produtividade ao teletrabalho, sempre e quando este é implementado em tempos de crise como a covid-19.

Para combater a propagação do novo coronavírus, milhares de empresas estão fechadas e têm equipas inteiras a trabalhar a partir de casa. O teletrabalho é, agora, uma forma de estas instituições garantirem a continuidade da sua atividade e a produtividade do negócio. Mas o trabalho remoto, forçado pelas medidas de contingência contra a pandemia, faz deste processo uma transição desadequada que pode ter efeitos devastadores na produtividade dos trabalhadores e, a longo prazo, na economia mundial. São algumas das conclusões do estudo “Does Working From Home Work? Evidence from a Chinese Experiment“da universidade de Stanford.

Para o economista Nicholas Bloom, envolvido no estudo, o teletrabalho só pode ser produtivo se as crianças estiverem na escola, se houver em casa um espaço designado para o efeito e se for uma escolha do próprio trabalhador. O regime de trabalho remoto, tal como o vivemos hoje, nem sempre cumpre estes requisitos.

No estudo, Nicholas Bloom analisou a transição para o trabalho remoto de mais de mil trabalhadores da empresa Ctrip, uma agência de viagens de Shangai, antes da pandemia. Estes trabalhadores voluntariaram-se para trabalhar remotamente durante nove meses. Todos tinham um espaço dedicado para o efeito nas suas casas e deslocavam-se uma vez por semana ao escritório. No final da experiência, o estudo registou um aumento de 13% na produtividade global da empresa.

Avaliar condições para o teletrabalho

De acordo com o estudo, são quatro os fatores que permitem avaliar se o teletrabalho é viável em determinada situação: crianças, espaço, colaboração e escolha. Mas durante a pandemia, os resultados podem ser diferentes. Filhos, familiares e um espaço desadequado para o teletrabalho são ameaças reais para a produtividade.

Para Nicholas Bloom, um dos requisitos para implantar o teletrabalho em casa com sucesso é ter os filhos a frequentar a escola. No estudo, concluiu-se que a produtividade na empresa estudada teve um aumento exponencial porque os trabalhadores se sentiam mais tranquilos em casa, conseguiam concentrar-se nas suas tarefas e ganhar o tempo que perdiam em transportes ou em pausas para refeições.

A colaboração também é essencial: o facto de os trabalhadores se deslocarem, uma vez por semana ao escritório, permitia que continuassem envolvidos na cultura da empresa e fossem mais propensos para inovar e continuar produtivos.

Contudo, a situação que vivemos com as medidas de contingência devido à pandemia trazem algumas particularidades a esta análise. Para trabalhadores com filhos, a gestão do trabalho e dos filhos em casa pode transformar-se numa tarefa hercúlea e numa forte ameaça à produtividade. Em Portugal, mais de 115 mil pais já pediram apoio à Segurança Social para ficarem em casa com os filhos. O mesmo acontece com o espaço de trabalho.

Além disso, a privação da socialização pode ter efeitos psicológicos e na saúde mental, colocando mais uma vez em risco a produtividade do trabalhador e, por consequência, da empresa. O último aspeto, mas não menos importante, é o fator “escolha”, que durante os tempos de pandemia não existe. O ser humano é um ser social e a privação da socialização pode ter efeitos psicológicos e na saúde mental, colocando mais uma vez em risco a sua produtividade e a da empresa. Manter a cultura organizacional da empresa à distância, um contacto regular com os colegas e a liderança próxima serão fatores a ter em conta.

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