Remuneração dos depósitos cai pelo 18.º mês seguido para 1,43%
Na Zona Euro, em que a taxa de juro média dos depósitos é de 1,81%, apenas os bancos do Chipre, Grécia e Eslovénia pagam menos que os bancos nacionais pelas poupanças das famílias.
A remuneração dos depósitos a prazo continua em queda livre. A taxa de juro média diminuiu pelo 18.º mês consecutivo em junho, fixando-se em 1,43%, atingindo assim o valor mais baixo desde maio de 2023, segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.
Esta queda sistemática das remunerações está a transformar os depósitos bancários numa aplicação cada vez menos atrativa para as famílias, que veem o seu poder de compra corroído pela inflação que, segundo as previsões do Banco de Portugal, deverá situar-se nos 1,9% este ano.
No contexto europeu, Portugal continua a ocupar uma posição pouco invejável. A taxa de juro média dos novos depósitos do conjunto dos países da área do euro reduziu-se apenas 0,06 pontos percentuais, para 1,81%. Com isto, Portugal manteve o seu lugar entre os países da moeda única como o país com a quarta taxa mais baixa, ficando significativamente abaixo da média europeia, apenas atrás do Chipre, Grécia e Eslovénia.

Esta disparidade coloca os aforradores portugueses numa situação de clara desvantagem comparativa, recebendo remunerações substancialmente inferiores às praticadas noutros países da Zona Euro. A diferença de 0,38 pontos percentuais face à média europeia representa uma perda significativa de rendimento para as famílias portuguesas.
O impacto da descida das taxas de juro fez-se sentir de imediato no comportamento dos aforradores. “O montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares diminuiu em 2.445 milhões de euros em junho, totalizando 10.648 milhões de euros”, refere o regulador. Esta redução substancial reflete a crescente desilusão dos investidores com a rentabilidade oferecida pelos bancos portugueses.
Os números do Banco de Portugal continuam a revelar revelam uma concentração acentuada nos depósitos de curto prazo. Nos novos depósitos com prazo até 1 ano, a taxa de juro média diminuiu 0,07 pontos percentuais, para 1,43%. Apesar da queda, esta classe de prazo manteve-se como a mais remunerada e representou 95% dos novos depósitos em junho, evidenciando a preferência dos aforradores por aplicações com menor maturidade num contexto de incerteza sobre a evolução futura das taxas.
O setor empresarial também não escapou à tendência descendente das taxas de juro. A remuneração média dos novos depósitos a prazo de empresas passou de 1,84% em maio para 1,71% em junho, revela o Banco de Portugal. As novas operações de depósitos totalizaram 8.368 milhões de euros, menos 733 milhões do que no mês anterior.
Tal como no segmento dos particulares, as empresas demonstraram uma preferência clara pelos prazos mais curtos. Os depósitos a prazo até 1 ano representaram 99,7% dos novos depósitos a prazo de empresas, sinalizando uma estratégia de preservação de liquidez num ambiente de taxas decrescentes.
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