Alienação do handling da SATA é negócio “absurdo” e “ruinoso”, critica BE/Açores

  • Lusa
  • 5 Setembro 2025

“A SATA Air Açores ficará reduzida a uma pequena empresa com poucos trabalhadores, que faz transporte aéreo", avisa o líder do BE/Açores, António Lima.

O líder do BE/Açores considerou esta sexta-feira que a decisão do Governo Regional de permitir a separação da unidade económica responsável pelo handling da SATA, para que possa avançar o processo de alienação, é negócio “absurdo” e “ruinoso”.

O vice-presidente do executivo regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), Artur Lima, disse na quinta-feira, na leitura do comunicado do Conselho do Governo, que esteve reunido em Ponta Delgada, que foi aprovada uma resolução “que determina a prática dos atos necessários à separação da unidade económica responsável pelos serviços de assistência em escala (handling) e a sua afetação à SATA Holding, S.A., criada no âmbito do processo de reorganização societária do grupo SATA”.

Artur Lima explicou que, agora, é preciso que a SATA Holding crie a empresa de handling, “para depois poder ser privatizada”. O líder do BE/Açores, António Lima, afirmou tratar-se de “um negócio absurdo, ruinoso, que só funciona na cabeça de neoliberais, da Comissão Europeia e, pelos vistos, na cabeça do Governo Regional”.

O arranque do processo de privatização do handling da SATA é um erro que o Governo Regional teima em não reconhecer. E pior. Acha que será bom. Ninguém acha que a privatização do handling será uma coisa boa para a SATA, exceto o Governo”, disse António Lima à agência Lusa, à margem de uma visita à Escola Secundária das Laranjeiras, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, para assinalar o arranque do ano letivo na região.

Para o líder do Bloco açoriano, o executivo regional “em vez de procurar reverter essa decisão [da privatização] junto da Comissão Europeia, assume-a como uma solução para a SATA Air Açores”.

“A SATA Air Açores ficará reduzida a uma pequena empresa com poucos trabalhadores, que faz transporte aéreo, quando grande parte daquilo que é a SATA Air Açores é, efetivamente, aquilo que se chama de handling, que são os serviços de apoio em terra”, disse. E continuou: “A entrega desse serviço a privados irá criar um monopólio na região, um monopólio privado, que deixará a região ainda mais refém de monopólios privados. Já está em várias áreas e ficará também no transporte aéreo”.

“Porque ninguém acredita, como é óbvio, que em quase todas as ilhas dos Açores, se não em todas, teremos três ou quatro empresas de handling a prestar serviço. A SATA terá de contratar esse serviço de handling a essa empresa que vai ser privatizada, que era exatamente parte da SATA Air Açores”, justificou.

O Governo açoriano adiantou que a medida “enquadra-se no plano de reestruturação da SATA, aprovado pela decisão da Comissão Europeia, de 7 de junho de 2022, que determina a necessidade de separação da referida unidade económica de modo a torná-la passível de alienação”. O processo de privatização da Azores Airlines, empresa do grupo SATA, está atualmente a decorrer.

O líder do BE/Açores e deputado regional reafirmou que defende para a Azores Airlines (SATA Internacional) “uma parceria com a TAP”. Já quanto à SATA Air Açores (que faz as ligações interilhas), na sua opinião, não há necessidade de “fazer mudanças de fundo”. Em 09 de dezembro de 2024, o presidente do Governo dos Açores confirmou que a SATA e o consórcio Newtour/MS Aviation estão a negociar a privatização da Azores Airlines e adiantou que a região vai assumir a dívida da companhia aérea.

Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).

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