Baixos números do emprego nos EUA pressionam Fed a cortar juros

Economia dos EUA criou apenas 22 mil empregos em agosto, muito abaixo dos 75 mil previstos pelos analistas, enquanto a taxa de desemprego subiu para 4,3%, o valor mais elevado desde 2021.

A economia norte-americana criou apenas 22 mil novos empregos em agosto, um resultado bastante abaixo dos 75 mil previstos pelos analisas, segundo um inquérito recente da Reuters. De acordo com os dados do Bureau of Labor Statistics (BLS), divulgados esta sexta-feira, trata-se do número mais baixo desde o início do ano e consolida uma tendência de abrandamento do mercado laboral norte-americano.

Os números mostram também que a taxa de desemprego subiu ligeiramente para 4,3%, cumprindo as previsões do mercado, mas mantendo-se no nível mais elevado desde outubro de 2021. Este aumento, ainda que modesto, surge numa altura em que os mercados estão particularmente atentos a sinais de deterioração das condições de emprego.

Os números divulgados reforçam também as expectativas de que a Reserva Federal norte-americana (Fed) inicie um ciclo de cortes nas taxas de juro já na próxima reunião do Comité de Política Monetária, marcada para 16 e 17 deste mês. Atualmente, os mercados atribuem uma probabilidade de 98% para a ocorrência de um corte de 25 pontos base das Fed Funds, que neste momento estão no intervalo 4,25%-4,50%

Os dados do BLS revelam também que o crescimento salarial em agosto mostrou sinais de arrefecimento, com os salários médios por hora a aumentarem 3,7% em termos anuais, abaixo das expectativas de 3,8% e do valor anterior de 3,9%. Esta desaceleração é vista como um sinal positivo pela Fed no combate à inflação, removendo pressões adicionais sobre os preços.

“O rendimento médio por hora de todos os funcionários do setor privado não agrícola aumentou 10 cêntimos, ou 0,3%, para 36,53 dólares em agosto”, refere o BLS em comunicado.

A análise por setores revela sinais um abrandamento na criação de emprego em áreas-chave da economia. Se o setor da saúde continuou a liderar a criação de emprego com 31 mil novos postos, fê-lo a um ritmo inferior à média dos últimos 12 meses. Por outro lado, o emprego federal continuou a cair, perdendo 15 mil postos em agosto, numa tendência que se mantém desde janeiro. A indústria transformadora também perdeu 12 mil empregos.

Um dos aspetos mais relevantes do relatório é o aumento do desemprego de longa duração. O número de pessoas sem trabalho há 27 semanas ou mais atingiu 1,9 milhões, o equivalente a 25,7% do total de desempregados – um aumento de 385 mil pessoas em termos anuais.

Contexto político adiciona pressão

O relatório de agosto surge numa altura de particular tensão política, após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter demitido a anterior diretora do BLS, Erika McEntarfer, acusando a agência de manipular os dados económicos. A nomeação do economista conservador E.J. Antoni para o cargo aguarda confirmação do Senado.

Jerome Powell, presidente da Fed, tem mantido a independência da instituição face às pressões políticas, mas os dados fracos do emprego podem facilitar a justificação para cortes nas taxas de juro.

Para a Fed, os dados de agosto representam mais uma peça de evidência de que os riscos para o mercado de trabalho podem agora superar as preocupações com a inflação, abrindo caminho para o primeiro corte nas taxas de juro desde dezembro.

Nos mercados, os investidores reagiram positivamente aos fracos números do emprego, refletindo a expectativa de que a Fed seja forçada a atuar para estimular a economia.

Os contratos de futuros sobre o índice S&P 500, que estavam numa tendência de queda até à divulgação dos dados, reagiram em alta e estão atualmente a valorizar 0,26%. O mesmo comportamento foi observado nos futuros sobre o tecnológico Nasdaq, que atualmente negoceiam a subir 0,7%; e também com os futuros sobre o Dow que, se até então desvalorizavam, atualmente negoceiam ligeiramente acima da linha de água.

Para a Fed, os dados de agosto representam mais uma peça de evidência de que os riscos para o mercado de trabalho podem agora superar as preocupações com a inflação, abrindo caminho para o primeiro corte nas taxas de juro desde dezembro do ano passado.

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