Contrato com a Spinumviva foi “serviço pontual” de 7.500 euros, diz CEO da Inetum Portugal
Em entrevista ao ECO, na qual avança planos de aquisição e recrutamento, Pedro Gomes Santos explicou a ligação à empresa familiar de Montenegro e garante que contratos públicos são “ajuda de ninguém”.
O CEO da Inetum Portugal afirma que o serviço “pontual” que a tecnológica teve com a empresa Spinumviva foi em dezembro de 2020 para uma assessoria, no valor de 7.500 euros, ao nível de Regulamento Geral da Proteção de Dados (RGPD).
“O serviço foi pago à Spinumviva, em janeiro do ano seguinte, e foi efetuado a uma das empresas do grupo Inetum. Durante as investigações entregámos a documentação toda de suporte. Foi uma fatura. Tenho a certeza disso, porque vi. Nunca houve histórico de relação”, disse Pedro Gomes Santos, numa entrevista ao ECO, na qual avança os planos de aquisição e recrutamento para este ano.
O CEO da Inetum Portugal explicou que quando o nome da empresa surgiu publicamente na lista de clientes da empresa familiar de Luís Montenegro, pediu “automaticamente” detalhes sobre o que estava em causa.
A Inetum foi uma das empresas clientes da Spinumviva divulgadas na véspera do debate televisivo entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos para as eleições legislativas deste ano. À data, a CNN Portugal e o Correio da Manhã revelaram que a multinacional tecnológica assinou 40 contratos com órgãos do Estado central entre 2 de abril de 2024 e inícios de maio de 2025, no valor de aproximadamente 39,3 milhões euros, sendo que a maior parte desse montante adveio de um contrato para compra de licenciamento de software e serviços conexos, por parte do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), no valor de cerca de 26,9 milhões de euros.
O CEO da Inetum Portugal refere que as datas do contrato com o IGFEJ e da divulgação das notícias foram uma coincidência temporal e “retiradas do contexto”, porque houve uma renovação do licenciamento de software. “O que aconteceu este ano foi que existiram alguns contratos grandes [com o setor público], porque são cíclicos devido a renovações de licenças. Coincidiu exatamente no mesmo período. Um deles foi o do IGFEJ, que renovou o contrato de licença de Microsoft para toda a Justiça. Quando a notícia saiu, tinha sido adjudicado esse contrato, portanto houve um pico”, justifica Pedro Gomes Santos.
Segundo o líder nacional da Inetum, a empresa – especializada em tecnologias como SAP – conquista os contratos públicos sem “nenhum tipo de ajuda de ninguém”. “Este ano estamos novamente com o setor público na venda de licenças de Microsoft – e nada mudou quer neste Governo quer no anterior. A Inetum Portugal sempre operou para o setor público como partner de IBM, HP ou Microsoft (que não fazem vendas diretas, mas através de entidades que são partners certificados). O que nós fazemos é concorrer aos concursos públicos e ganhamos com as competências que temos”, esclarece, após vir a público que – a par com a ITAU – a Inetum aumentou a faturação com as organizações públicas em menos de um ano de Governo da AD.
Pedro Gomes Santos acrescentou ainda que a empresa Iecisa – Informática El Corte Inglés, que foi comprada à cadeia de armazéns espanhola pelo grupo Inetum em 2021, trabalha com o Estado há mais de 20 anos. Já o serviço momentâneo de apoio ao RGPD da Spinumviva foi prestado à antiga Roff (antes da integração no grupo tecnológico francês).
“Estou habituado a esse tipo de notícias da América Latina. Às vezes, faz-se ruído à volta de coisas sem sentido nenhum. Fazemos revenda de licenças há mais de 10 anos, ainda antes da aquisição da Iecisa, e nada mudou”, reiterou o gestor que, antes de assumir a presidência executiva da subsidiária portuguesa, liderou a operação da Inetum no Peru e na Colômbia, entre 2019 e 2024.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Contrato com a Spinumviva foi “serviço pontual” de 7.500 euros, diz CEO da Inetum Portugal
{{ noCommentsLabel }}