Estónia denuncia violação de espaço aéreo por caças russos

  • Lusa
  • 19 Setembro 2025

O ministro dos Negócios Estrangeiros estónio sublinhou que "a incursão de hoje, que envolveu três caças, é de uma audácia sem precedentes". Estónia vai acionar artigo 4.º da NATO

O Governo da Estónia denunciou esta sexta-feira a entrada de três caças russos no seu espaço aéreo, onde permaneceram, sem permissão, 12 minutos, e convocou o encarregado de negócios da Rússia para protestar perante tal incidente. Depois da Polónia, também a Estónia vai acionar artigo 4.º da NATO.

O incidente aconteceu pouco mais de uma semana depois de a Polónia se ter queixado da entrada de drones russos no seu espaço aéreo, o que levou a NATO a enviar aviões para os destruir e elevou os receios de que a guerra na Ucrânia se pudesse alargar. “Tal violação é completamente inaceitável. O Governo estónio decidiu solicitar consultas nos termos do artigo 4.º da NATO”, escreveu o primeiro-ministro, Kristen Michal, numa mensagem na rede social X.

O ministro dos Negócios Estrangeiros estónio, Margus Tsakhna, adiantou que a Rússia já tinha violado o espaço aéreo do país quatro vezes este ano, sublinhando que “a incursão de hoje, que envolveu três caças, é de uma audácia sem precedentes”.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Tallin, a incursão envolveu três caças russos MIG-31 e foi detetada sobre o Golfo da Finlândia. O encarregado de negócios russo foi convocado e recebeu uma nota de protesto, segundo um comunicado do ministério.

Na quarta-feira, o Governo estónio descartou impor restrições temporárias na sua fronteira com a Rússia, ou no espaço aéreo, como fizeram países vizinhos em resposta a incursões na Polónia. O fecho temporário da fronteira com a Rússia foi proposto pela oposição, mas o ministro do Interior da Estónia, Igor Taro, defendeu não haver razões para tal.

O ministro admitiu, no entanto, que a decisão, contrária à dos seus vizinhos polacos, poderia ser alterada caso “alguma coisa mude”. A invasão do espaço aéreo da Polónia por drones russos foi o incidente direto mais sério em Estados-membros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) desde o início do conflito na Ucrânia, há mais de três anos.

A Polónia e vários países da NATO estão em alerta máximo desde a intrusão de cerca de 20 drones russos na noite de 9 para 10 de setembro. Vários países europeus, incluindo a França, a Alemanha, a Suécia e o Reino Unido, anunciaram maiores contributos para as defesas aéreas da Polónia ao longo da sua fronteira oriental com a Ucrânia e a Bielorrússia.

A NATO criou a iniciativa militar “Sentinela Oriental” após a invasão do espaço aéreo polaco por drones russos, tendo sido ativada no sábado face à possibilidade de um novo ataque.

O reforço militar não é exclusivo para a Polónia, já que a NATO realizou, no sábado, uma descolagem de emergência, ativando a “Sentinela Oriental” devido a uma potencial ameaça dos drones russos na Roménia, informou o Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa (SHAPE).

Os drones têm sido a principal arma utilizada pela Rússia nos ataques a cidades e infraestruturas energéticas e civis na Ucrânia.

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