António Filipe rejeita ideia de Gouveia e Melo de “haver Estado a mais”

  • Lusa
  • 21 Outubro 2025

"Quando as pessoas dizem que a administração pública tem gente a mais, apetece-me perguntar onde é que acham que se corte. Nos professores?", diz António Filipe a Gouveia e Melo.

O candidato presidencial António Filipe afirmou esta terça-feira, em Palmela, que “muitos serviços públicos não têm funcionários suficientes”, contrariando a perspetiva do seu adversário Gouveia e Melo, que considerou haver “Estado a mais” em Portugal, em declarações ao ECO.

Quando as pessoas dizem que a administração pública tem gente a mais, apetece-me perguntar onde é que acham que se corte. Nos professores? Não deve ser, porque temos falta de professores, temos alunos sem aulas. É nos funcionários das escolas? Também não parece. Os médicos, os enfermeiros? Também não parece que seja. É nas forças de segurança ou nas Forças Armadas? Também não parece”, disse António Filipe.

O candidato comunista a Presidente da República, que falava à agência Lusa durante uma visita à Sociedade Filarmónica Humanitária de Palmela, no distrito de Setúbal, respondeu desta forma ao ser confrontado com as declarações de Gouveia e Melo ao jornal Eco, em que o almirante e também candidato presidencial considerou haver “Estado a mais” em Portugal e admitiu ter uma posição “mais liberal” nesta matéria.

Citado no jornal ECO, Gouveia e Melo considera que “o Estado é um travão ao desenvolvimento económico na forma como está presente na economia – não porque esteja a substituir a economia privada, mas porque está de alguma forma a estrangular a economia, a estrangular a iniciativa”.

Com uma posição diametralmente oposta, o candidato comunista António Filipe não só questionou onde se poderia cortar o número de efetivos da administração pública, como também sublinhou a necessidade de se alterar o atual estado de coisas, dado que “muitos serviços públicos não têm profissionais em número suficiente e não conseguem atrair profissionais”.

“Temos de ter funcionários suficientes e com carreiras valorizadas. Eu não entendo sinceramente esse discurso de que há funcionários públicos a mais. A menos que se pretenda transferir funções sociais do Estado para o setor privado. Provavelmente é isso que se pretende, e eu essa visão não a compartilho”, frisou António Filipe.

Sobre o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários ao acidente ocorrido com o elevador da Glória, em Lisboa, em 3 de setembro, e que causou 16 mortos e cerca de duas dezenas de feridos, segundo o qual o cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória, e que cedeu no seu ponto de fixação da carruagem que descarrilou, não respeitava as especificações da Carris, António Filipe defendeu que é preciso “apurar responsabilidades até às últimas consequências”.

“Quando estão em causa vidas de pessoas – e foi isso que esteve em causa com este trágico acidente –, há que apurar responsabilidades e responsáveis até às últimas consequências. Creio que este relatório aponta para graves deficiências relativamente à manutenção daquele equipamento. E eu acho que tem de haver responsabilidades, quer de quem faltou ao seu dever, mas também os responsáveis políticos pelas decisões que foram tomadas relativas àquele elevador e que levou a esta trágica situação”, disse António Filipe.

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