Banca vende 300 milhões de euros em crédito malparado e imóveis

Caixa colocou à venda uma carteira de malparado de 100 milhões. BBVA tem 20 milhões em terrenos à venda. Bancos continuam limpeza do balanços. Agências de rating e supervisores elogiam.

Com o final do ano a aproximar-se, os bancos continuam os esforços de limpeza dos seus balanços. Nas últimas semanas foram colocadas à venda várias carteiras de crédito malparado e de imóveis com o valor global de aproximadamente 300 milhões de euros, de acordo com as informações recolhidas pelo ECO junto de fontes do mercado.

O setor realizou uma forte limpeza dos seus balanços nos últimos anos – e esses esforços têm sido amplamente reconhecidos pelas agências de rating e pelos supervisores, como destacou esta semana a Morningstar DBRS. Ainda assim, os bancos continuam a tentar livrar-se de ativos considerados problemáticos.

É o caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que tem à venda um portefólio de empréstimos não produtivos (NPL, na sigla em inglês) com o valor contabilístico bruto de cerca de 100 milhões de euros. Trata-se de uma carteira de exposições unsecured, ou seja, que não têm garantias associadas, pelo que o valor a receber por este conjunto de contratos deverá ser mais baixo. O banco público não fez comentários sobre esta operação.

Há ainda outra carteira de NPL unsecured no mercado com o valor de 170 milhões de euros, mas não foi possível saber o nome da instituição que ‘originou’ este portefólio.

Além de crédito malparado, foi também lançada uma carteira de imóveis pelo BBVA. Com o valor de perto de 20 milhões de euros, o portefólio inclui quase quatro dezenas de ativos imobiliários, na sua maioria terrenos, localizados em todo o país.

Malparado cai mais de 15 pontos na última década

Há dez anos o malparado era um dos grandes problemas a afetar a banca nacional. Em 2015 o setor registava um rácio de NPL de 17,5% do total do crédito – no auge da crise bancária em Portugal, após as falências dos BES e Banif e com a Caixa a caminho de uma recapitalização.

Uma década depois, o problema está sanado. Em junho, o crédito malparado correspondia a apenas 2,3% do total dos empréstimos dos bancos, com o rácio de NPL a baixar mais de 15 pontos percentuais neste período.

Malparado em queda

Fonte: Banco de Portugal e Associação Portuguesa de Bancos

Este esforço não tem passado despercebido às agências de notação de risco, que avaliação após avaliação tem vindo a melhorar o rating dos bancos nacionais.

Esta semana, a Morningstar DBRS também elogiou os progressos alcançados nesta frente e destacou que essa evolução contribuiu para a melhoria da perceção de risco que os bancos passaram a ter junto dos supervisores. Tal melhoria reflete-se no alívio da almofada financeira que é atualmente exigida às instituições financeiras para fazer face a uma situação de crise.

Em concreto, o requisito de Pilar 2 (um requisito de capital específico para cada banco em função do risco percecionado) médio para o capital total dos maiores bancos portugueses diminuiu de 2,38% para 2,29% dos ativos ponderados pelo risco (RWA) nos últimos três anos.

A DBRS destacou que, apesar da melhoria, os bancos nacionais ainda têm margem de progressão para convergirem para os seus pares europeus.

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