Canadá retira anúncio de TV que levou Trump a romper negociações comerciais
A decisão de suspender a campanha foi tomada para "permitir o retomar das negociações comerciais".
O governo da província canadiana de Ontário anunciou esta sexta-feira a suspensão de uma campanha publicitária televisiva contra o aumento das tarifas norte-americanas que levou Presidente Donald Trump a romper negociações comerciais com Otava.
Doug Ford, chefe do governo do Ontário, afirmou que a decisão de suspender a campanha, a partir de segunda-feira, foi tomada após discussões com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, para “permitir o retomar das negociações comerciais”.
Trump decidiu esta sexta-feira cessar, com efeito imediato, as negociações comerciais com o Canadá, acusando Otava de distorcer as palavras do antecessor Ronald Reagan, numa campanha publicitária contra o aumento de tarifas alfandegárias.
Antes da inesperada declaração, um acordo comercial entre Otava e Washington sobre o aço, o alumínio e a energia parecia provável, de acordo com o jornal canadiano Globe and Mail, antes do encontro previsto entre Carney e Trump durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), no final do mês.
Na rede social X, Ford adiantou que o anúncio ainda irá para o ar nos Estados Unidos este fim de semana, principalmente durante os dois primeiros jogos da final do Campeonato de Basebol, que tradicionalmente geram uma grande audiência.
Carney afirmou esta sexta-feira estar pronto para retomar as negociações comerciais “assim que os norte-americanos estiverem prontos“, dando a entender que as discussões bilaterais conheciam avanços.
“Estamos prontos para continuar nesse caminho e aproveitar esses progressos quando os norte-americanos estiverem prontos”, referiu.
O Canadá é um dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, mas as relações entre os dois países esfriaram desde que Trump iniciou uma guerra comercial contra os aliados comerciais de Washington e expressou o desejo de anexar o vizinho do norte, após ter regressado à Casa Branca, em janeiro deste ano.
Aproximadamente 85% do comércio transfronteiriço permanece isento de tarifas, já que os Estados Unidos e o Canadá são membros do Acordo de Livre Comércio da América do Norte.
Mas as tarifas setoriais globais de Trump, particularmente sobre aço, alumínio e automóveis, atingiram duramente o Canadá, levando à perda de empregos e colocando as empresas sob pressão.
Em setembro passado, o Supremo Tribunal norte-americano aceitou rever rapidamente a legalidade da maior parte das tarifas impostas por Trump, uma causa que o próprio Presidente considera “vital” para manter em vigor o aumento das tarifas e levar por diante o seu programa económico.
O Supremo deve ouvir no início de novembro os argumentos sobre se a administração Trump pode usar poderes económicos de emergência para impor o maior aumento tarifário da história recente do país.
Trump repetiu esta sexta-feira as acusações ao governo do Canadá, com base num anúncio televisivo que chamou de fraudulento promovido com palavras do ex-presidente republicano Ronald Reagan (1981-1989) contra os impostos, algo que, segundo Trump, foi tirado do contexto.
“O Canadá fez batota e foi descoberto. […] O Canadá tenta influenciar ilegalmente o Supremo Tribunal dos Estados Unidos numa das sentenças mais importantes da história do nosso país”, escreveu Trump na sua rede Truth Social.
Donald Trump referia-se à campanha publicitária financiada pela província canadiana de Ontário, no valor de cerca de 75 milhões de dólares (cerca de 64,5 milhões de euros), com o objetivo de convencer os eleitores republicanos norte-americanos, de acordo com vários meios de comunicação social.
A Fundação Ronald Reagan declarou na rede social X que a campanha publicitária canadiana utilizou “de forma seletiva excertos de áudio e vídeo” de um discurso radiofónico sobre o comércio do antigo presidente republicano, em abril de 1987.
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De acordo com a fundação, a publicidade distorcia as palavras de Ronald Reagan (1981-1989), acrescentando que estava “a analisar as suas opções jurídicas neste caso”.
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