Economia cresce 2,4% em termos homólogos e 0,8% em cadeia no terceiro trimestre
Em trimestre de aplicação das novas tabelas de IRS e 'bónus' aos pensionistas, crescimento da economia acelerou na comparação homóloga, depois de uma expansão do PIB de 1,8% no segundo trimestre.
A economia portuguesa cresceu 2,4% em termos homólogos no terceiro trimestre, traduzindo uma aceleração face à taxa de 1,8% registada entre abril e junho, de acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgada esta quinta-feira. Na comparação trimestral, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,8%.
A taxa de variação homóloga supera o intervalo esperado pelos economistas de 1,9% a 2,3%, enquanto a verificada na comparação em cadeia fica no limiar superior de 0,3% a 0,8%.
Na comparação face a igual período do ano passado, destacam-se dois fatores de influência: as exportações de bens e serviços aceleraram ligeiramente e o consumo privado também subiu.
Os dados do INE, que ainda não incluem detalhes mais afinados sobre as componentes do PIB, revelam para já que o contributo negativo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi menos acentuado com a aceleração das exportações, já que ao mesmo tempo também se verificou uma ligeira desaceleração das importações.
Contudo, continua a ser a procura interna que puxa pelo crescimento da economia, embora o seu contributo se tenha mantido relativamente estável. Um comportamento que resultou de uma aceleração do consumo privado que compensou a desaceleração verificada no investimento e ocorreu no trimestre em que se aplicaram as novas tabelas de retenção na fonte em agosto e setembro de forma a traduzir a redução do IRS com retroativos a janeiro, a que se somou o ‘bónus’ extraordinário aos pensionistas. Isto significou mais dinheiro ao fim do mês no bolso dos portugueses, cenário que no ano passado tinha ocorrido em setembro e outubro.

Na comparação trimestral, a aceleração do crescimento foi ligeira, passando de uma taxa de 0,7% no segundo trimestre para 0,8% no terceiro, com os contributos da procura interna e externa a registaram um comportamento semelhante ao do verificado na comparação homóloga.
Uma recuperação das exportações é precisamente esperada pelo Governo para o segundo semestre. “Para a segunda metade do ano, antecipa-se uma aceleração do PIB, decorrente da manutenção de um crescimento robusto da procura interna e de alguma recuperação das exportações após o comportamento fraco registado no primeiro semestre”, pode ler-se no relatório do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), no qual prevê um crescimento económico de 2%, depois de uma taxa de 2,1% em 2024.
Desempenho “reforça confiança” na meta de 2% no final do ano
O Governo considera que os dados revelam a “elevada resiliência” da economia portuguesa e permite reforçar a confiança no cumprimento da previsão de 2% para a totalidade do ano.
“Depois dos efeitos negativos da incerteza internacional e da guerra comercial e dos choques geopolíticos, a economia portuguesa continua a demonstrar uma elevada resiliência“, assinala o Ministério das Finanças, em comunicado divulgado após a publicação dos dados.
Para o Governo, “este desempenho reforça a confiança que existe relativamente à economia nacional e a convicção do Governo de que é possível atingir um crescimento de 2% este ano”.
O Ministério tutelado por Joaquim Miranda Sarmento destaca ainda que o crescimento em cadeia de 0,8% é o maior desde o início de 2023, quando excluido o último trimestre de 2024, assim como o maior entre os países da Zona Euro na comparação trimestral.
Pela lente da comparação em cadeia, a economia dos países do euro cresceu 0,2% no terceiro trimestre, depois de ter avançado 0,1% no trimestre precedente. Entre os países da Zona Euro para os quais existem dados disponíveis, Portugal foi o país com o maior crescimento em cadeia: 0,8%. Já a Lituânia contraiu-se 0,2% e a Irlanda 0,1%.
Na comparação face ao período homólogo, a Zona Euro cresceu 1,3%, uma taxa que revela uma ligeira desaceleração face aos 1,5% registados no trimestre precedente.
(Notícia atualizada às 12h36 com comunicado do Ministério das Finanças)
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