Líder da extrema-direita dos Países Baixos reconhece derrota nas legislativas antecipadas

  • Lusa
  • 4 Novembro 2025

O partido centrista de Rob Jetten e a extrema-direita de Geert Wilders conquistaram 26 assentos parlamentares, mas o DC66 teve mais 28.455 votos.

O líder da extrema-direita dos Países Baixos, Geert Wilders, admitiu esta terça-feira a derrota nas eleições legislativas, muito renhidas, felicitando o centrista Rob Jetten, que aos 38 anos deverá tornar-se o mais jovem primeiro-ministro neerlandês. A vitória de Jetten nas eleições legislativas antecipadas, realizadas na quarta-feira passada, foi confirmada na noite de segunda-feira após a contagem dos últimos boletins de voto.

Ambos conquistaram 26 assentos parlamentares e a vitória de um deles dependia do número de votos. Após o apuramento dos últimos boletins, a diferença entre o D66 centrista e o PVV, de extrema-direita, ficou em 28.455 votos. “As possibilidades de alterações são mínimas. Por isso, felicitei o senhor Jetten pela sua vitória”, disse Wilders aos jornalistas.

O líder da extrema-direita neerlandesa tinha transmitido nas redes sociais alegações infundadas de irregularidades eleitorais. Wilders reagiu inicialmente à derrota sugerindo que poderia ter havido irregularidades na votação, uma alegação amplamente repreendida pelos municípios locais que organizam a votação, bem como pelo Conselho Eleitoral, o órgão independente que certifica os resultados eleitorais.

Desde então, o líder da extrema-direita voltou atrás, considerando “absurdas” acusações de que estava a minar a democracia. Entretanto, Rob Jetten deu já início ao processo para formar governo, nomeando o ex-vice-primeiro-ministro Wouter Koolmees como “conselheiro” para determinar quais os partidos que estão prontos para colaborar.

Koolmees, que foi também ministro do Trabalho e dos Assuntos Sociais (2017-2022), terá de falar com os diferentes grupos parlamentares e os seus líderes sobre as respetivas preferências para um eventual acordo de coligação. Uma vez estabelecidos estes contactos, formulará uma série de recomendações sobre os próximos passos a dar. O seu nome estava em cima da mesa há dias como o mais provável para assumir este trabalho difícil, mas vital, para a política fragmentada neerlandesa.

Jetten, 38 anos, obteve uma surpreendente vitória eleitoral na semana passada, que o deixou na posição de se tornar o primeiro-ministro mais jovem e o primeiro chefe de Governo assumidamente homossexual na quinta maior economia da União Europeia. As eleições foram precipitadas pela queda da coligação governativa no verão passado, após Wilders – que venceu as eleições de novembro de 2023, mas não conseguiu ficar a liderar um executivo – ter retirado os cinco ministros do PVV do Governo, por defender um endurecimento da política migratória.

Jetten deve, em primeiro lugar, formar uma coligação, uma tarefa que é sempre delicada nos Países Baixos. Devido à fragmentação política, nenhum partido conquistou lugares suficientes no parlamento de 150 membros para formar uma maioria absoluta. Para alcançar 76 lugares, uma ampla coligação que abranja todo o espetro político é a opção mais viável – e a que Jetten pretende.

Alcançar uma maioria é possível com uma coligação de quatro partidos: o D66 de Rob Jetten (26 lugares), o CDA, de centro-direita (18), o liberal VVD (22) e a aliança de esquerda Verdes/Trabalhistas (20). No entanto, convencer o VVD e os Verdes/Trabalhistas a trabalharem em conjunto será complicado.

Nos Países Baixos, o líder do partido que ganhou as eleições nomeia um “conselheiro” para sondar os diferentes partidos e determinar quem está disposto a falar com quem. Só após a conclusão deste trabalho, necessário para apresentar potenciais coligações, é que as verdadeiras negociações terão início.

Até que uma nova coligação seja formada, o governo demissionário de Dick Schoof continua a gerir os assuntos correntes. Schoof disse que esperava permanecer como primeiro-ministro até ao Natal, mas Jetten disse que não havia tempo a perder para formar um Governo.

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