Estados Unidos e centros de dados. As apostas em que a EDP coloca as suas ‘fichas’
A EDP diz que a incerteza já não mora nos Estados Unidos, e que tanto este território como os centros de dados deverão acolher muita da sua energia.
Foi este verão que as “nuvens negras”, que ameaçavam a atividade da EDP nos Estados Unidos, se dissiparam. Com melhor visibilidade sobre o que a empresa pode esperar em termos de política fiscal, a elétrica portuguesa quer avançar a todo o vapor, com novos investimentos, para o outro lado do oceano Atlântico. Lá, mas cada vez mais também no resto do mundo, há outro grande chamariz: o surgimento de centros de dados, que adicionam procura e criam novas oportunidades que a EDP pretende agarrar.
A primeira metade do ano foi de “grande turbulência” no que diz respeito às perspetivas nos Estados Unidos, reconhece o CEO da EDP e EDP Renováveis, Miguel Stilwell de Andrade, questionado sobre as ‘nuvens escuras’ que pairavam sobre a empresa naquele país. A incerteza era dada por não se saber que futuro a administração norte-americana, liderada pelo opositor às energias renováveis Donald Trump, iria dar aos créditos fiscais e apoios que haviam sido lançados pela nova administração.
Contudo, “veio-se a verificar que se mantiveram”: a Big, Beautiful Bill, o diploma que esclarece as opções de Trump nesta área, trouxe clareza (e “boas notícias”), sobre os apoios para o horizonte até 2030. “Estamos a falar de uma grande estabilidade para os próximos 5 anos a 6 anos”, prevê Stilwell. No que diz respeito à ameaça de tarifas, que tem atemorizado muitas empresas com atividade naquele território, a EDP diz-se protegida por ter a cadeia de abastecimento concentrada no país.
Os Estados Unidos vão arrecadar a maior fatia dos 12 mil milhões de euros de investimento que a EDP tem planeados para o período entre 2026 e 2028, mais precisamente, 35%, ou 4,2 mil milhões de euros. Segue-se a Península Ibérica, que tem ‘direito’ a 30%, o correspondente a 3,6 mil milhões de euros – sendo que Portugal ‘fica’ com 2,5 mil milhões. Em terceiro no ‘pódio’ dos destinos de investimento da elétrica está o Brasil, que recebe 10% do total.
Os investimentos são distribuídos quase equitativamente entre redes (45%) e a categoria ‘Renováveis e gestão de clientes e energia’ (55%). A energia eólica offshore parece ser o maior senão: “A palavra-chave aqui é disciplina. Não tentaremos um crescimento enorme. Vamos focar-nos em terminar os projetos existentes e ser muito disciplinados em relação a novos”.
Nos últimos 12 meses, contou numa apresentação do plano estratégico aos analistas o administrador com o pelouro financeiro da empresa, Rui Teixeira, a elétrica esteve avessa ao risco, dadas as incertezas já referidas, pelo que se refreou de assinar contratos de longo prazo.
Agora, estão “a recomeçar”, e veem boas perspetivas na renegociação de contratos em fim de vida, num contexto de preços de eletricidade crescentes. Se para 2025, 2026 e grande parte de 2027 as apostas da EDP estão fechadas, 2028 ainda está em aberto.
Confrontado com a hipótese de o plano de investimentos ser conservador, Miguel Stilwell rejeitou: “Consideramos que os 5 gigawatts [de expansão na capacidade renovável] é um número muito salutar. À medida que fomos fechando projetos adicionais, podemos escalar”, rematou. A ideia é “não estarmos pressionados para avançar com megawatts e sacrificar o retorno ou, para ter o retorno, acabar por sacrificar megawatts”.
Centros de dados, tecnológicas e utilities
“As Googles e Amazons estão a ligar-nos”, diz Miguel Stilwell. E garante: as tecnológicas “têm o nosso contacto direto” e “sabem quem nós somos”. O objetivo da chamada é comprar a eletricidade da EDP para alimentar centros de dados. “É um ótimo mercado para estar, vamos passo a passo tirar partido disso”, prevê o CEO, que diz estar a assistir a um crescimento da procura por parte das ‘big tech‘, com as quais a empresa já contratualizou o fornecimento de mais de três gigawatts de energia.
No entanto, não são só estas empresas que “ligam” à EDP por precisarem de abastecer os seus centros de dados. As próprias utilities, empresas que vendem energia nos Estados Unidos, também estão interessadas em contratualizar. Com estas, a EDP já contratualizou 6 gigawatts.
No total, a empresa prevê que a capacidade instalada, em termos de centros de dados, no conjunto dos Estados Unidos e da Europa e até 2030, duplique.
Do lado de cá do Atlântico, a EDP também espera que o desenvolvimento neste campo seja interessante. “A Europa está atrás dos EUA em termos de centros de dados, mas vemos movimento”, embora não com a mesma escala e velocidade do mercado norte-americano. Na ótica de Stilwell, o Velho Continente “já percebeu” que tem de escalar a sua capacidade, para poder armazenar os seus dados na Europa.
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